De volta ao asfalto para a estreia nos 42k: Maratona das Três Fronteiras (por Clebi Ferreira)
- 2 de mar.
- 3 min de leitura
A decisão de encarar a Sparkasse 3-Länder-Marathon nasceu em um momento de transição. Após mudar de assessoria para focar em trilhas, vi o grupo se mobilizar para celebrar os 20 anos da equipe nesta prova peculiar que atravessa a Alemanha, Áustria e Suíça. Mesmo com experiência em triatlo e corridas de aventura, eu tinha uma resistência interna: o asfalto sempre me machucou, e eu havia prometido que meu limite na rua seria a meia maratona. Mas o desafio estava lançado.
O desafio mental e a luta contra o relógio
A preparação no segundo semestre foi duríssima. Conciliar o volume absurdo de treinos com uma rotina intensa de trabalho e poucas horas de sono exigiu um esforço mental gigantesco. No Nordeste, o sol não perdoa: às 6h da manhã já passamos dos 28°C. O apoio do grupo foi o que me manteve de pé; treinar sozinha naquela intensidade seria quase impossível.
No entanto, o corpo sentiu o impacto da transição da trilha para o asfalto. Cheguei ao final da temporada com uma ameaça de lesão na "pata de ganso". Precisei reduzir o ritmo drasticamente e recalcular a rota. Desistir não era opção, então confiei cegamente na minha equipe multidisciplinar: médico, nutricionista, fisioterapeuta e meu técnico, que ajustou cada quilômetro para o meu estado físico real.

Três países, um só cenário: o Lago de Constança
A prova é visualmente deslumbrante. O percurso contorna o Lago de Constança, o terceiro maior da Europa, alternando entre margens serenas e trechos urbanos charmosos, especialmente na Suíça. O que mais impressiona é o respeito: moradores de todas as idades, inclusive idosos com seus andadores, ocupam as calçadas com bandas e gritos de incentivo. Não há invasão de carros; o percurso pertence ao atleta até que o último cruze a linha de chegada.
A logística é impecável. Largamos em Lindau (Alemanha) e chegamos em Bregenz (Áustria). Para chegar à largada, a organização oferece barcos ou trens periódicos — uma experiência à parte. Ficamos hospedados em Bregenz, uma cidade acolhedora de 30 mil habitantes onde se faz tudo a pé e se come muitíssimo bem.
O "muro" e a apoteose no estádio
Dizem que o "muro" da maratona surge no km 35, mas o meu apareceu quando o percurso da maratona se separou da meia maratona. O vazio repentino no trajeto exigiu um trabalho mental intenso. Mas, ao entrar no estádio em Bregenz e ver meu grupo esperando, o filme da superação passou pela minha cabeça. Ali, eu me tornei maratonista.
A Maratona dos Três Países me ensinou que o processo — o antes, o durante e o depois — é o que realmente importa. É sobre conhecer novas culturas e descobrir que, com a rede de apoio certa, somos capazes de romper nossos próprios limites.
Pós-prova: cultura, cristais e chocolate
Para mim, a prova só termina na comemoração. Estendi a viagem por outras joias austríacas e suíças:
Innsbruck (Áustria): Uma cidade universitária que respira esporte, com suas famosas casinhas coloridas.
Wattens: Onde visitei o Museu de Cristais Swarovski, uma experiência sensorial inesquecível em cada sala.
Salzburgo: Jantar e concerto noturno em uma fortaleza medieval. A iluminação transforma o castelo em um cenário mágico.
Zurique (Suíça): Antes de voltar ao Brasil, visitamos o museu interativo da Lindt (com uma degustação imperdível) e aproveitamos a vida noturna vibrante da cidade.
Dicas da Clebi para quem quer ir:
Logística de Malas: Se for viajar de trem pela Áustria após a prova, cuidado com o excesso de bagagem; as estações exigem deslocamento constante.
Hospedagem: Bregenz é a base perfeita. Não deixe de subir o teleférico para ter uma visão panorâmica das montanhas.
Guarda-volumes: Use o serviço de "caminhão volante" da organização. Você entrega sua mochila na largada (Alemanha) e a retira na chegada (Áustria).
Clebi Ferreira
Corredora de rua, de trilha e de aventura
@clebioneide
Imagens: Arquivo pessoal.



























