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Fasceíte plantar: porque a dor insiste em voltar e como cuidar do jeito certo (por Alessandra Toscano)

  • 14 de jul.
  • 3 min de leitura

Você já levantou da cama e sentiu como se tivesse um prego no calcanhar? Ou como se

tivesse pisado em um caco de vidro?


Essa é uma das descrições mais comuns de quem convive com a fasceíte plantar, uma

lesão chatinha, bastante conhecida entre corredores e que pode atrapalhar a sua rotina de

treinos.


Como a dor se manifesta


A fasceíte plantar geralmente aparece como uma dor em pontada ou queimação na sola

do pé, principalmente perto do calcanhar. Em alguns casos, também pode incomodar na

região do arco plantar.


A dor costuma ser mais perceptível nos primeiros passos da manhã ou após períodos

prolongados de repouso, com tendência a aliviar à medida que o corpo "aquece" e o

movimento continua. Ela também pode incomodar depois de ficar muito tempo em pé,

caminhar por distâncias maiores ou correr.


Como boa parte das lesões por sobrecarga, ela costuma começar de forma gradual. Ou

seja, antes de um episódio mais intenso de dor, o corpo já vem dando sinais sutis de que

algo não está bem.



O ciclo que se repete


Muita gente entra em um padrão conhecido: faz liberação com bolinha, alonga, reduz as

atividades por alguns dias e até sente algum alívio temporário. Só que, quando volta

para a rotina, a dor aparece de novo.


Afinal, por que isso acontece? Porque a fasceíte plantar não está relacionada apenas a uma "inflamação" isolada. Ela tem muito a ver com a capacidade da fáscia plantar e das estruturas ao redor de lidarem com carga.


A fáscia plantar ajuda o pé a absorver e transferir força durante a corrida. Quando a

carga ultrapassa a capacidade do corpo de tolerar aquele estímulo, os sintomas

começam a aparecer. Isso pode acontecer por:

  • Aumento no volume ou na intensidade dos treinos

  • Recuperação insuficiente

  • Mudanças bruscas na rotina

  • Alterações na biomecânica da corrida

  • Déficits de força na panturrilha, nos glúteos e músculos do pé


O que fazer de verdade

Na maior parte das vezes, o caminho não é simplesmente parar de correr, mas ajustar a

carga por um tempo.


Isso é importante porque tecidos como tendões, músculos e fáscias precisam de

estímulos bem dosados para se adaptarem. O repouso pode aliviar a dor no curto prazo,

mas, se nada for feito para melhorar a tolerância do corpo ao esforço, a dor tende a

voltar quando os treinos recomeçam.


Só que isso não é sinônimo de ignorar a dor e seguir treinando como se nada estivesse

acontecendo, combinado?


É preciso entender quais fatores estão contribuindo para o sintoma e, a partir disso,

ajustar melhor a rotina de treinos.


No fim, o objetivo não é simplesmente “desinflamar” a fáscia. É devolver ao pé e ao

corpo a capacidade de tolerar carga de novo.


Alessandra Sartori Godoy Toscano

Corredora e fisioterapeuta esportiva, Sócia-especialista SONAFE

@alegodoytoscano.fisio



*Para quem quiser se aprofundar

Este texto foi baseado em diretrizes clínicas e estudos sobre dor plantar no calcanhar,

manejo de carga, fortalecimento progressivo e adaptação dos tecidos na fasceíte plantar.

Referências principais:

Koc TA Jr, et al. Heel Pain – Plantar Fasciitis: Revision 2023. Journal of Orthopaedic

& Sports Physical Therapy. 2023.

Morrissey D, et al. Management of plantar heel pain: a best practice guide. British

Journal of Sports Medicine. 2021.

Rathleff MS, et al. High-load strength training improves outcome in patients with

plantar fasciitis. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports. 2015.

Lemont H, et al. Plantar fasciitis: a degenerative process without inflammation.

Journal of the American Podiatric Medical Association. 2003.



Imagens: Gerada por IA - Gemini

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