Incontinência urinária em mulheres atletas: por que acontece? (por Flávia Nascimento Silva)
- Eric Akita
- 2 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
A perda de urina é frequente no sexo feminino quando comparado ao oposto, mas não deve em hipótese alguma ser considerada normal. Essa condição tem nome: Incontinência Urinária (IU), definida pela International Continence Society (ICS) como a "queixa de qualquer perda urinária de forma involuntária".
Atualmente, a IU afeta mulheres em diferentes momentos da vida. Estudos apontam que existe uma prevalência entre aproximadamente 25% a 45% nessa população. E isso está relacionado a diversos fatores como a própria anatomia onde a uretra é mais curta, quantidade de gestações, via de parto e oscilações hormonais que ocorrem ao longo da vida, em especial na menopausa, entre outras.
Diversas são as formas de classificar a IU, no entanto, as mais frequentes são:
- Incontinência urinária de Esforço (IUE), onde a perda ocorre diante de alguns esforços como o simples fato de carregar uma sacola e ao tossir ou espirrar, entre outros;
- Incontinência Urinária de Urgência (IUU), que é marcada pela necessidade súbita e urgente de urinar;
- Incontinência Urinária Mista (IUM), na qual temos os sinais e sintomas das supracitadas.
Atualmente, uma nova modalidade está sendo descrita nos estudos que é a Incontinência Urinaria Atlética (IUA), na qual a perda de urina ocorre somente durante a prática de algum esporte.

Mulheres que praticam esportes apresentam mais probabilidade de desenvolvimento, não por causa da atividade de forma isolada, mas quando ela está associada a outros fatores, em especial à quantidade de gestações. O assoalho pélvico funciona como se fosse uma rede, em que recebe a carga na hora que a mulher está correndo, saltando, levantando um peso... e, então, ele deve dissipar essa carga. Quando temos uma falha nesse mecanismo funcional, podemos dizer que existe uma janela aberta para o desenvolvimento dessa condição.
Em mulheres atletas, além dos fatores causais que citei acima, podemos listar outros como, por exemplo, aumento da pressão do abdômen, alterações do hormônio estrogênio diante de uma condição que chamamos de síndrome da baixa disponibilidade energética que tem relação com a alimentação, atraso de ativação muscular, aumento súbito do volume e intensidade dos treinos, sobrepeso e constipação.
A qualidade de vida das mulheres que apresentam IU é altamente atingida, levando muitas delas a abandonarem a prática esportiva e a se tornarem menos ativas nas atividades de vida diária. Um dado importante que vários estudos ofertam é que a maioria procura estratégias a curto prazo para minimizar o desconforto e constrangimento devido ao escape. Os mais relatados são: diminuir o consumo de água antes da prática esportiva; restrição hídrica durante a prática; uso de forros e absorventes; e mudança da modalidade esportiva praticada. Esses métodos não são a melhor escolha, pois não tratam de forma efetiva a causa, além de alguns serem prejudiciais à saúde íntima.
A fisioterapia pélvica é fundamental para o tratamento dessa disfunção, onde inicialmente a mulher passa por uma avaliação detalhada com o intuito de verificar as causas da perda urinária. Também é verificado se existe fraqueza dos músculos do assoalho pélvico, tensão de músculos ao redor como adutores, que são a parte interna da coxa e glúteos, atraso de ativação e mobilidade da pelve, entre outros pontos, para, então, trilhar o caminho correto do tratamento que é individual.
Você tem mais dúvidas sobre incontinência urinária? Mande uma mensagem para mim pelo @flaviaa_nas no Instagram. Eu posso te ajudar. Bons treinos!
Flávia Nascimento Silva
Fisioterapeuta
Crefito 230970-F
Imagem: jcomp /
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