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Coração de corredor: o check-up que salvou uma vida e o retorno às ruas (por Dr. Gustavo Carneiro)

  • Foto do escritor: Eric Akita
    Eric Akita
  • 16 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Para quem corre, o coração é o nosso motor. Mas o que acontece quando descobrimos que esse motor veio com uma "peça de fábrica" diferente e precisa de um ajuste crítico? Hoje, vamos falar sobre a história do Leandro, que enfrentou a cirurgia cardíaca mais delicada que existe e provou que o asfalto continua esperando por nós, desde que a gente saiba respeitar o tempo do corpo.


A válvula que não segue o ritmo


O Leandro tinha uma condição congênita: em vez de uma válvula aórtica tricúspide (com três válvulas), a dele era bicúspide. Imagine uma porta que deveria ter três trincos e só tem dois; com o tempo, o funcionamento fica prejudicado.


Para piorar, ele apresentava uma dilatação na aorta. Como essa é a região de maior pressão do corpo — onde o sangue sai com toda a força para o resto do organismo — o risco era altíssimo.


A ‘reforma’ do motor


A cirurgia não foi simples. Foi necessário o que nós, cirurgiões cardíacos, chamamos de

tubo valvado:

- Retirou-se a válvula com defeito e a parte dilatada da artéria.

- Instalou-se uma prótese que já vem com a válvula dentro de um tubo.

- As artérias que irrigam o próprio coração foram "reimplantadas" nesse novo tubo.


Sim, é a cirurgia mais delicada da cardiologia, mas é também o que garante uma vida plena daqui para frente.


Para o registro fotográfico ao lado do Dr. Gustavo Carneiro após a Meia de Sampa, Leandro fez questão de tirar a camiseta para exibir a cicatriz da cirurgia cardíaca que foi submetido. E que possibilitou retomar a atividade física.
Para o registro fotográfico ao lado do Dr. Gustavo Carneiro após a Meia de Sampa, Leandro fez questão de tirar a camiseta para exibir a cicatriz da cirurgia cardíaca que foi submetido. E que possibilitou retomar a atividade física.

A maratona da recuperação


Muita gente acha que pós-operatório de coração é ficar meses na cama. Erro total! A atividade física é o que chamamos de reabilitação cardiopulmonar:

- Pós imediato: Foco total na fisioterapia respiratória ainda no hospital.

- A marca dos 15 dias: É aqui que o jogo vira. Após duas semanas, a caminhada já é estimulada. O objetivo? Minimizar a perda de massa muscular e recuperar o fôlego.

- A regra do osso (Esterno): Como o osso do peito foi aberto, ele precisa de "calo ósseo". Por isso, exercícios de peito e costas ficam proibidos por 4 a 6 meses. Mas pernas, bíceps e antebraço? Estão liberados para manter o corpo ativo!


Não seja aquela estatística trágica do asfalto


Quantas vezes ouvimos histórias de corredores que passam mal e morrem durante um treino? Muitas vezes são pessoas que nunca fizeram um exame básico. Se você quer correr com segurança, o "kit básico de sobrevivência" é:

- Ecocardiograma: Um ultrassom para ver se as válvulas e o músculo estão ok.

- Teste Ergométrico: Colocar o coração no esforço para descartar arritmias e risco de infarto.

- Exames de Sangue: Ver a parte hormonal, rins e fígado.

- Doppler de Carótidas: Essencial para corredores mais velhos, para prevenir o risco de AVC.


Conclusão


A história do Leandro nos ensina que a cirurgia não é um ponto final, mas um reboot. Com 15 dias você já está caminhando; com paciência e acompanhamento, logo estará correndo. O importante não é o quão rápido você volta, mas sim o quão seguro você está para nunca mais precisar parar. O asfalto te espera. Mas o seu coração precisa estar pronto para ele.


No dia 16 de novembro, corri ao lado do Leandro os 21km da Meia de Sampa. Foi a primeira vez que ele correu essa distância depois da cirurgia. E foi muito bem, com um sub 2 horas! Foi um dia para celebrar a saúde e a medicina!


Gustavo Carneiro 

(médico do esporte, cirurgião cardíaco e corredor de trilha e asfalto e triatleta amador)

@cardioexcelencia


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