top of page

Do quintal às montanhas: nossa jornada em família na corrida de trilha (por Odair Correia da Silva)

  • há 7 dias
  • 3 min de leitura

Meu início na corrida aconteceu logo após a pandemia. Durante aquele período difícil, buscávamos correr no quintal, no corredor de casa mesmo — ida e volta — tentando espairecer daquele momento triste e sombrio. Antes disso, eu curtia muito o ciclismo, cheguei a fazer vários brevets, mas acabei migrando para a corrida de rua.


Tudo mudou quando o Erico decidiu partir para o trail. Ficamos empolgados em casa, porque vivíamos brincando com ele: “Erico, por que você não faz aquelas ‘corridas no mato’?”. Parecia legal. Quando ele voltou de uma oficina de corrida, nós o enchemos de perguntas: como foi, se era difícil, como era o pessoal... Nessa onda, ele levou a Veve (a irmã gêmea Verônica) para uma vivência do Corre Junto, de onde ela voltou fascinada.


A estreia audaciosa em Passa Quatro


Começamos a pesquisar provas e descobrimos que na cidade de Passa Quatro ocorriam muitas delas, incluindo a famosa UD. Em 2024, resolvemos nos inscrever para nossa primeira prova de trilha, que aconteceria em fevereiro de 2025. Bem, fomos "pouco humildes" e nos inscrevemos logo nos 55km, mesmo sendo iniciantes!


Somos muito ansiosos em casa, mas também realistas. Tínhamos certeza de que terminaríamos? Não, não tínhamos. Mas mergulhamos de cabeça. Fizemos um check-up médico e começamos os treinos. A viagem foi tranquila e a hospedagem boa, embora os preços estivessem um pouco salgados.


Erico (esquerda), Gabriel (centro) e Odair (direita): pai e filhos encararam juntos os 55k da UD Passa Quatro 2026.
Erico (esquerda), Gabriel (centro) e Odair (direita): pai e filhos encararam juntos os 55k da UD Passa Quatro 2026.

O batismo de fogo (no calor)


O dia da prova teve um sol escaldante. Muito calor, mesmo. O Erico "quebrou" nos 38km; eu e a Veve continuamos. Ela ainda tinha gás, mas eu já me sentia exausto. Ali percebi o quanto o trail é pesado — "pauleira" mesmo. Acabei quebrando no km 54,1. Parei faltando apenas 900 metros para o fim. Parece loucura, mas foi o que aconteceu. Senti uma culpa enorme por achar que estava atrapalhando a corrida da Veve, o que me deixou estressado. Pedi para ela seguir e terminar; ela hesitou a corrida inteira, mas acabou me atendendo.


Não ter terminado me deixou triste, mas nunca desmotivado e muito menos com vontade de desistir. Assim, começamos a nos inscrever em várias outras: Paranapiacaba, Pico do Urubu, UD Morungaba, Terras Altas, UAI 100km, La Mision Brasil e Bertioga-Maresias.


A redenção: UD Passa Quatro 2026


Finalmente, chegou a vez da UD Passa Quatro 2026. Dessa vez, eu terminei! Treinei bastante: pilates, corrida e musculação (embora devesse ter feito mais desta última). A viagem de carro com meus filhos foi tranquila; eles sempre vão dormindo, e desta vez fomos eu, Erico e Gabriel.


Conseguimos uma hospedagem excelente (Hotel Pousada São Rafael), mas encontrar local para jantar foi um desafio. Como preciso evitar leite, derivados e macarrão (que não cai bem para ninguém aqui em casa), tive que ser cuidadoso. Meu filho Gabriel esqueceu, comeu macarrão e, como podem imaginar, houve algumas paradas no caminho. Eu tinha pedido para que não fizesse o calor de 2025, mas acho que fui mal interpretado: caiu o mundo de chuva!



O medo e o "mantra" da segurança


Em uma das corridas, alguém parou minha filha e perguntou: “Seu pai deixou você fazer a La Misión Brasil na montanha? Ele não tem medo?”. Bem, medo a gente tem todos os dias. No dia a dia sempre corremos riscos. Nós procuramos seguir as recomendações, mas problemas sempre podem ocorrer.


Quem tem medo de verdade é minha mulher, que nos acompanha e fica no "radar". Sempre largamos com o "boa prova" dela, acompanhado de um aviso: "não é para forçar nada!". Além disso, desde a inscrição, somos cobrados diariamente sobre os treinos e a leitura do briefing. Virou um mantra.



A essência do trail: ‘Ninguém fica para trás’


Resumindo, sou uma pessoa afortunada por poder treinar e praticar o trail com meus filhos. Eles nunca querem me deixar para trás e, quando eu consigo um ritmo melhor, também não quero deixá-los. Cada um tem seu momento, seu dia bom e seu dia ruim. Mas aprendemos que, no trail, se alguém precisa de ajuda, sempre haverá alguém para estender a mão. Tem que ser recíproco.


Nas provas, conseguimos esquecer os problemas do cotidiano e apreciar lugares incríveis. Rimos muito e, acima de tudo, conhecemos pessoas que se tornam nossos guias e amigos. Como meus filhos sempre dizem: "Pai, as corridas que não terminamos não foram perdidas, porque conhecemos gente legal que nos ajudou muito". Cada dia no trail com meus filhos é uma nova história de aventura para contar.


Roberta


Odair Correia da Silva

Marmorista e corredor de trilha e de rua

@odairdad


Veronica não participou da UD Passa Quatro ao lado de Odair, mas já esteve com ele em outras provas como a La Misión Brasil, UAI 100k e Maresias-Bertioga.
Veronica não participou da UD Passa Quatro ao lado de Odair, mas já esteve com ele em outras provas como a La Misión Brasil, UAI 100k e Maresias-Bertioga.

Imagens: Arquivo pessoal.

android-chrome-512x512_edited.png

©2023 CORRE JUNTO

  • Instagram
bottom of page