Entrevista: Cláudio Castilho, CEO da CBAt, revela novo formato do Brasileiro de Trilha e vê modalidade na Olimpíada
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Na véspera da disputa da Evolution Itatiaia, em Penedo (RJ), a jornalista Marina Ferrari, a convite da organização da prova, conversou com o CEO da CBAt, Cláudio Castilho, sobre o crescimento e a regulamentação da corrida de trilha e montanha no Brasil. O dirigente cravou que "trilha e montanha é atletismo", esclarecendo que a modalidade é regida pela específica Norma 15 — e não pelas regras da corrida de rua. Castilho destacou a abertura ao diálogo com o mercado e anunciou três grandes novidades: a criação de um inédito Campeonato Brasileiro em formato de circuito por etapas para a temporada 2026/2027, a inclusão histórica de corredores de trilha no programa Bolsa Atleta do governo federal e o planejamento técnico voltado para a transição geracional, visando à possível estreia olímpica do esporte nos Jogos de Brisbane em 2032. Confira abaixo a entrevista na íntegra.
Marina Ferrari: Vou apresentar o nosso convidado: ele é sócio-fundador da assessoria esportiva Saúde Performance, é CEO da Confederação Brasileira de Atletismo e também treinador de atletismo nível 4 da World Athletics. Estou ao lado de Cláudio Castilho. Que legal essa oportunidade de conversar contigo, Castilho. Bem-vindo ao nosso universo!
Cláudio Castilho: Bom, boa tarde a todos. Boa tarde para quem está nos acompanhando. É um prazer falar com você e é um prazer estar aqui novamente. No ano passado eu estive aqui; a arena está mais bonita e o Edvaldo conseguiu caprichar ainda mais. Então, parabéns para ele e para a equipe. Vamos falar de trilha e montanha, e eu já queria começar dando um recado. Corrida de trilha e montanha é atletismo.
Marina Ferrari: Eu o apresentei rapidamente, mas acho interessante você contar um pouco da sua jornada. Se formos pensar, a vida reúne várias experiências que nos transformam e nos levam por um caminho. Eu queria que você conectasse alguns episódios, um momento que você entenda que o trouxe até aqui para ocupar essa posição que ocupa hoje dentro da CBAt.
Cláudio Castilho: Bom, eu tenho 57 anos. Comecei no atletismo com 11 anos, em 1981. Fui atleta de pista em provas de 800 e 1500 metros, e corri também os 3000 metros com obstáculos. Aí, já próximo da minha graduação, no início da década de 1990, migrei para as provas de rua e conheci esse universo. Ali abriu-se uma janela de oportunidades imensa. Comecei a trabalhar com corredores amadores, até por uma questão profissional e de sobrevivência, e em 1996 entrei no Esporte Clube Pinheiros, onde construí a maior parte da minha trajetória profissional. Foram 24 anos no Pinheiros, onde comecei como treinador e saí como gerente de esportes olímpicos, cuidando de 16 modalidades olímpicas no clube que reúne a maior parte da história olímpica do Brasil. Paralelamente, vim me preparando também para atuar na área de gestão. Como treinador, fui a cinco Jogos Olímpicos — nos últimos dois como chefe de equipe do Brasil, em Paris e em Tóquio —, mas participo desde 2008, em Pequim. Foram cinco Jogos Pan-Americanos, quatro medalhas conquistadas, muitos atletas treinados, muitos campeonatos mundiais e muita conexão com o mundo do atletismo em suas várias manifestações mundo afora. Então, vejo que, de certa forma, preparei-me ao longo de tanto tempo para sentar na cadeira executiva da Confederação há 5 anos, atuando na gestão do presidente Wlamir, onde procuramos fazer um atletismo mais democrático, mais inclusivo e que atenda às cinco regiões do Brasil. Sabemos das grandes diferenças que existem e do grande desafio que é conectar tudo isso dentro de um guarda-chuva único.

Marina Ferrari: É verdade, Castilho. O Brasil é gigante. Acho que vivemos hoje um momento especial pensando no crescimento da corrida de trilha e montanha. Por exemplo, nas grandes provas, as mais consolidadas que temos, percebemos que este ano, principalmente, e até já pensando em 2027, os ingressos deram sold out. No caso de La Misión, pensávamos que duraria três dias, mas esgotou em horas. A KTR Campos do Jordão também lotou e já está aberta para a próxima edição, vendendo bem. A Serra da Canastra já vendeu tudo para o ano que vem. Enfim, a própria Evolution aqui também lotou. Terras Altas é outra prova que supercresceu este ano e também está esgotada. É um momento superespecial que estamos vivendo. Diante disso, queria que você comentasse como enxerga a maturidade da corrida de trilha e montanha, mas pensando em mercado.
Cláudio Castilho: Ótima pergunta. Esse movimento de desenvolvimento não está focado apenas na trilha e montanha, embora a inclua. A corrida de rua também está se desenvolvendo e outras modalidades, principalmente as outdoor, estão crescendo bastante, o que é muito bom. As pessoas estão procurando se movimentar e consumindo isso. Para o segmento, independentemente de quem estejamos falando, é muito importante. Especificamente para a trilha e montanha, temos que voltar um pouquinho e olhar para o passado recente. Se não me engano, em 2007 começou o primeiro Mundial de Trilha — não era trilha e montanha, era apenas trilha. Em 2023 houve uma unificação do segmento de trilha e montanha mundialmente e a modalidade passou para a tutela da Federação Internacional de Atletismo. Estou falando de um movimento muito novo, de 2023, algo bem recente. De lá para cá, ocorreram três campeonatos mundiais; em 2027 teremos a quarta edição. No mesmo período, o Brasil realizou três edições de campeonatos brasileiros. Portanto, estamos seguindo uma linha global interessante. No entanto, estou me referindo a um formato mais rígido, normativo e formal — aquela coisa engessada com a qual nem sempre o praticante tem contato ou interesse. Refiro-me à grande massa que pratica, pois são eles que trazem esse desenvolvimento mais palpável. O fato é que ambos dividem o mesmo ambiente e o regulamento é igual. É óbvio que para os atletas competitivos e federados há um rigor maior, mas o organizador e o produtor estão submetidos às mesmas normativas. Ele tem que produzir um evento com os mesmos cuidados e fazer um planejamento considerando toda a legislação e os regulamentos possíveis. Não há como escapar disso, porque toda vez que se tenta desviar, incorre-se em erro e risco. Quando falamos do ambiente de trilha e montanha, o risco é aumentado. Eu vim de São Paulo hoje e cheguei aqui um pouco mais cedo. Estava vendo a equipe do Edvaldo trabalhando na montagem da arena quando, de repente, o clima mudou do nada, trazendo chuva e vento. São coisas que não controlamos. Se você não tem um planejamento e não segue critérios específicos e técnicos, o risco é muito grande. Vejo com muita animação o fato de o setor estar se desenvolvendo. Há cerca de duas semanas, tive uma reunião com o Paulinho, do La Misión; conversei com o Gustavo, do Indomit; conversei com o Rafael, da Paraty by UTMB; e converso muito com o Edvaldo desde que estive aqui no ano passado. Fazemos isso para entender os detalhes e as nuances, vendo de que forma a Confederação pode ajudar, informando e orientando sobre a melhor forma de agir para que esse processo de desenvolvimento não pare. O papel da Federação e da Confederação não é brecar o crescimento — que isso fique bem claro —, mas sim ajudar a estruturar esse desenvolvimento para que ele seja sólido e perene. O que não queremos é que um problema grave, um óbito ou qualquer fatalidade gere um efeito contrário nesse desenvolvimento tão bonito que está acontecendo.
Marina Ferrari: Pensando na organização da corrida de trilha e montanha, esse crescimento torna necessária a formalização e o estabelecimento de normativas, tarefas que estão na competência da Confederação e das Federações. Temos acompanhado nos últimos dias um embate entre organizadores, atletas e federações. Na sua opinião e explicação a respeito, o maior desafio atual das federações e da Confederação no trato com as pessoas que organizam toda a cena seria a comunicação?
Cláudio Castilho: Sem dúvida. A informação e o contato direto, assim como estamos fazendo aqui agora, é a forma mais efetiva que entendemos para levar a instrução correta e nos colocarmos à disposição. Nem todo mundo tem acesso a isso, embora devesse. Temos tudo publicado em nosso site, mas sei que é um hábito geral as pessoas não lerem regras e normas. Se fôssemos fazer uma enquete aqui com os corredores amadores inscritos perguntando quem leu o regulamento, qual seria o resultado?
Marina Ferrari: (Risos)
Cláudio Castilho: Que bom! Fico feliz por quem leu, mas sabemos que não é a realidade geral. Se esperarmos que isso aconteça de forma orgânica, vai demorar mais e vai ser doloroso. Não precisamos de conflito, porque todos queremos a mesma coisa: o desenvolvimento do segmento. De forma proativa, estamos abrindo a Confederação para que as pessoas tragam essa informação, que é o que estou fazendo aqui ao falar sobre o assunto. É o que a Federação Mineira fez e vem fazendo. Obviamente, toda comunicação só é compreendida quando quem fala o faz de maneira clara e quem ouve compreende o interlocutor. Isso não se resolve em apenas uma conversa; é um exercício contínuo para que a informação chegue bem. Por outro lado, vejo que houve muitos avanços no estado de Minas Gerais. Devo enaltecer o presidente Gustavo, que foi o primeiro a assumir a responsabilidade de levar a primeira edição do Campeonato Brasileiro de Trilha e Montanha para o Caparaó, em 2024. Quando lançamos o projeto de criar o Campeonato Brasileiro, com pouquíssimo tempo e uma janela extremamente apertada, ele aceitou o desafio. Ali foi o primeiro contato direto com a comunidade de trilha e montanha, o que representou um momento de muito aprendizado para nós. Do primeiro para o segundo campeonato, já consideramos vários aspectos apontados pelas pessoas que estavam lá, como sugestões específicas sobre a dinâmica na montanha. Nós ouvimos, mas também explicamos o nosso lado. Nessa troca, todos crescemos. No ano passado aconteceu o mesmo aqui com o Edvaldo, e este ano repetimos na Serra da Baitaca, em Quatro Barras. A novidade que já posso adiantar é que a comunidade está clamando por um campeonato brasileiro não de uma etapa só, mas em formato de circuito, o que possibilita maior participação e mecanismos estratégicos para os atletas. Portanto, a edição 2026/2027 terá um circuito.
Marina Ferrari: Que show!
Cláudio Castilho: O circuito de 2026/2027 deve começar no final deste ano, porque no ano que vem teremos o Campeonato Mundial e o calendário formal precisa estar conectado ao calendário global. Não adianta fazermos um evento que não seja seletivo, pois do contrário o atleta de trilha e montanha não fica elegível para receber o Bolsa Atleta do governo federal. A boa notícia é que, pela primeira vez, temos um grupo de atletas da trilha e montanha recebendo o Bolsa Atleta. Para finalizar, destaco que este é um processo, uma curva de aprendizado. É preciso ter paciência, acalmar os ânimos e falar com mais cordialidade. Se todos pensarem nas soluções em vez de potencializarem os problemas, evoluiremos muito mais rápido.
Marina Ferrari: Pensando nisso, você comentou que conversa com alguns organizadores. Acho que parte desse embate e das críticas recentes surge justamente porque muitas normas implementadas na corrida de trilha e montanha foram trazidas da corrida de rua pela Confederação e pelas federações. Como a trilha é outra disciplina, exige normas adaptadas à sua realidade. Estávamos conversando nos bastidores antes de começar o nosso bate-papo sobre a velha história da posição do número de peito. Na corrida de trilha, às vezes ele fica tapado porque o corredor precisa usar um corta-vento, ou fica amassado e desgastado por causa da mochila e do cinto. Diante disso, tenho duas perguntas: vocês pensam nessas questões específicas? E qual seria o canal para que organizadores e atletas colaborem nesse processo junto a vocês?
Cláudio Castilho: Vamos falar de processo. Em julho de 2023, tivemos a aprovação da Lei Geral do Esporte. É algo extremamente novo que consolidou o arcabouço legal no Brasil. Para quem ainda tem em mente a Lei Pelé, ela agora faz parte do arcabouço da Lei Geral do Esporte. Para quem vive e respira o esporte, recomendo fortemente a leitura dessa lei. Ela traz uma série de dispositivos novos aos quais tivemos que nos adaptar. Para não fazermos algo muito apartado e segmentado, pensando apenas no Brasil, contamos naquela ocasião com o assessor da presidência designado pelo presidente Wlamir, o Sidney Togumi, que é um representante de grande reconhecimento no segmento de trail e montanha. A missão que passamos para ele foi clara: não aplicar a Norma 7, que regulamenta a corrida de rua. Quando falamos de trail e montanha, a norma específica é a Norma 15, que foi inspirada na Regra 57 da federação internacional. Existem aspectos que devem ser observados e ajustados tanto na nossa Norma 15 quanto na própria norma internacional. Esse é um trabalho contínuo da Confederação. Quando recebemos uma demanda que faz sentido, a primeira coisa que faço é me conectar com a federação internacional para sinalizar que determinada regra não está clara, está afetando o desenvolvimento e gerando desclassificações indevidas. Se eles não têm uma resposta imediata, pedem um tempo para avaliar, pois existe um comitê internacional específico para debater o trail e a montanha, inclusive sobre a possibilidade de inclusão da modalidade no programa olímpico de 2032, em Brisbane. Então, é um pouco complexo, mas perfeitamente compreensível. Concluindo: existe uma norma específica para o trail e montanha, que é a 15, e não a 7. Há necessidades de ajuste? Sim, e ela passou por alterações recentes. Há pouco tempo, em Bragança Paulista, a delegação brasileira fez um período de treinamentos prévio ao Campeonato Sul-Americano da Colômbia. Na ocasião, reuni-me com o Klaus, atual presidente da ABCTrilha, e com os treinadores presentes, como o Rafael Bonatto e o Wagner, para ouvi-los. Reforcei que eles têm canal direto e estão na casa da Confederação para avaliarmos o que pode ser melhorado. É isso que estamos buscando, Marina.
Marina Ferrari: Mas fora esses encontros presenciais, vocês pensam em alguma outra opção de canal para manter essa troca?
Cláudio Castilho: Na Confederação nós temos os nossos canais de ouvidoria, e as federações também possuem os delas; basta utilizá-los. Hoje, mantemos uma parceria com a ABCTrilha. Mudamos um pouco a estratégia desde a saída do Sydney Togumi, que fez um trabalho brilhante enquanto esteve conosco e depois resolveu deixar o cargo por opção própria. Desde então, estabelecemos essa parceria com a ABCTrilha e procuramos fazer essa interlocução em todos os momentos possíveis. Eles já estão atuando no projeto do calendário para as temporadas 2026/2027 e 2027/2028, além de participarem da definição dos critérios de convocação de atletas e treinadores para as delegações brasileiras. De qualquer forma, o canal oficial é o site da Confederação, onde há acesso direto, assim como as federações têm os seus próprios canais.
Marina Ferrari: E falando sobre esse campeonato, conte-nos as novidades. Queremos saber o que você tem para adiantar: vai ser por etapas? Vocês já organizam uma prova este ano para ser a sede do campeonato brasileiro? Onde será? Já definiram o palco para 2027? Queremos saber.
Cláudio Castilho: Está quase tudo pronto. Temos uma estrutura básica pensada que precisa passar por validação. Existe um processo de estruturação e validação de todos os projetos que passam pela Confederação. Especificamente sobre o trail e montanha, sabemos que é um anseio da comunidade ter um circuito. Precisamos definir quantas e quais serão as provas, o que elas precisam oferecer, o que estará em jogo em cada etapa e qual será o formato do circuito — se será por pontos, se haverá descarte e se alguma etapa terá peso diferente. Também avaliamos a distância de cada etapa em relação às necessidades dos corredores, pois sabemos que um atleta de 100 quilômetros não pode fazer uma prova dessa magnitude todos os meses; é necessário um intervalo importante. Já temos um primeiro formato desenhado. Nas próximas duas semanas, terei uma reunião com o Klaus e mais algumas pessoas do segmento, principalmente os treinadores dos atletas, pois precisamos ouvi-los. Fechado o projeto, apresento-o ao Conselho Técnico da Confederação — que conta com representantes da comissão de atletas, árbitros, treinadores, presidentes de federação e membros do departamento técnico. Nós debatemos, fechamos a proposta e a encaminhamos para o Conselho de Administração da Confederação. Pode parecer burocrático, mas é necessário pelas alçadas de governança. Assim que o Conselho de Administração aprovar, começamos a executar e divulgar. Esperamos anunciar o circuito até a metade de agosto. Esse é o nosso cronograma para viabilizar o primeiro evento em dezembro.
Marina Ferrari: Então já é certo que haverá um campeonato brasileiro por etapas começando ainda este ano?
Cláudio Castilho: Sim, já me comprometo que haverá. (Risos) Estamos tentando fazer com que pelo menos as regiões mais importantes no segmento de trail e montanha estejam representadas. Sabemos que o Sudeste tem muitos eventos e excelentes organizadores, assim como o Sul, em Santa Catarina, no Paraná e no Rio Grande do Sul. No Centro-Oeste, conversei com o pessoal da UltraMacho, e sabemos que a Bahia e o Nordeste também têm forte presença. Vamos tentar fazer com que o circuito passe pelas principais regiões onde o segmento acontece hoje.
Marina Ferrari: Legal. É complexo pensar em todas as etapas que vocês precisam considerar, até porque a corrida de trilha é muito diferente da corrida de rua quando se trata de um campeonato. Você mencionou que existem pesos e medidas diferentes dependendo do local. Penso também no próprio atleta participante. Se fôssemos do mesmo nível correndo aqui dentro do Parque Nacional, no local da Indomit, obviamente o Edvaldo, por ser um atleta local, levaria vantagem sobre mim. Acho que essa é uma questão que vocês também avaliam.
Cláudio Castilho: Sim, consideramos os aspectos técnicos, mas além disso há o fator financeiro. Sabemos que nem todos os atletas que disputam as primeiras posições têm apoio ou recursos para se deslocarem por todas as regiões do Brasil. É importante que o "efeito casa", de alguma forma, o ajude. Tecnicamente falando, o mais importante é que cada etapa tenha uma conexão forte com a competição principal, garantindo que o atleta represente o Brasil com o melhor preparo técnico possível. Se ele vai disputar em Chamonix, temos que tentar fazer com que a prova aqui ofereça condições muito parecidas com as que ele encontrará lá. São aspectos que levamos em conta.
Marina Ferrari: Ainda falando sobre o campeonato brasileiro, aproveitando a sua presença aqui, muito se especula sobre a Indomit ser o palco de 2027. O que você pode adiantar a respeito?
Cláudio Castilho: Venho conversando com o Gustavo há bastante tempo. Era para ter sido em 2026, mas não conseguimos avançar devido a um conflito de datas, já que ele tinha lançado o evento dele. Contudo, é uma forte candidata. Ele apoia muito o movimento de conexão da trilha e montanha com o atletismo, entendeu a missão e colocou-se completamente à disposição para ajudar, incluindo os seus eventos no circuito. Nós o consideramos fortemente; não posso cravar ainda, mas ele é um forte candidato.
Marina Ferrari: A confirmação sai em agosto também?
Cláudio Castilho: Isso. Queremos lançar todas as etapas com as datas definidas até o final de agosto.
Marina Ferrari: Bom, hoje estamos em uma janela de ciclo olímpico. Você já comentou sobre 2032. O que vocês planejam pensando na entrada da corrida de trail e montanha em uma Olimpíada, no caso de Brisbane?
Cláudio Castilho: Isso é fundamental porque não se prepara um atleta em apenas um ciclo. Torcemos muito para que o trail e montanha seja absorvido no programa olímpico em 2032, e todo esse movimento que começamos já vislumbra esse cenário. Já percebemos uma migração de atletas jovens do atletismo formal — da pista, por exemplo — vindo para o trail e colhendo bons resultados. No Sul-Americano, foram quatro medalhas. Essa transição geracional é muito importante, sem descartar, obviamente, os grandes atletas do momento. Sabemos que temos excelentes atletas de trail e montanha com muita experiência e bagagem. Está chegando a hora de convocá-los para ouvi-los e integrá-los nessa transição, pois os mais novos precisam aprender com quem já está aqui há muito tempo.
Marina Ferrari: Com certeza, e os jovens também trazem uma visão com mais abertura para colaborar. E quanto a você, quando correrá uma prova de trilha? Quando vai correr o Evolution?
Cláudio Castilho: No ano passado eu quase corri. Participei também de uma etapa do Mountain Do, em Santa Catarina. Confesso que não é minha praia. Passei a vida inteira treinando de forma que eu largava sabendo exatamente onde ia chegar, enxergando a linha de chegada. Ainda estou me adaptando. Já completei 12 maratonas, mas confesso que esse ambiente onde controlo poucas variáveis me dá um pouco de receio. De qualquer forma, comprometi-me com alguns organizadores, pois nada melhor do que calçar o tênis e ir para a montanha para entender a realidade na prática. Eu sou corredor; para mim, a corrida é mais do que uma modalidade, é o meu estilo de vida. Não me vejo sem correr e pratico todos os dias. Prometo que, como ainda estamos na metade do ano, farei pelo menos uma ou duas aparições em provas para correr.
Marina Ferrari: Aí sim! Vai gostar. É isso, Castilho. Algum recado final para encerrarmos o nosso bate-papo?
Cláudio Castilho: Tenho sim. Pediria à comunidade de trail e montanha que esteja aberta para o novo, assim como estamos nos preparando para ouvi-los. Escutem também o que precisa ser dito. Não existe "nós" e "eles"; hoje fazemos parte de um mesmo ecossistema. Vamos focar a nossa energia em solucionar os problemas e não em potencializá-los, pois dificuldades já temos de sobra. Se queremos avançar — e tenho certeza de que todos querem —, vamos criar mais fóruns como este. Estamos à disposição para escutar, Marina, desde que as pessoas venham com propostas de solução. Os ataques nós deixamos para as redes sociais, as quais não respondemos; temos coragem suficiente para vir aqui pessoalmente, dar a cara e falar o que precisa ser dito.
Marina Ferrari: Importante, excelente a sua presença aqui na Evolution. É fundamental mantermos esse contato. Quero agradecer pelo bate-papo e pelos esclarecimentos. Como eu disse no início, bem-vindo ao nosso universo e que isso se repita mais vezes. Obrigada também a todos que estão presentes aqui na arena da Evolution e a você que está nos acompanhando pelas redes sociais da Evolution e da Mundo Outdoor. Desejo uma boa prova para quem for correr amanhã na Evolution e vamos nos divertir. Valeu, gente. Obrigada, Castilho. Imagem: @claudiocastilho



