top of page

A jornada até o pódio do Panamericano de Trail e o sonho das 100 milhas, por Giovanna Martins

  • Foto do escritor: Eric Akita
    Eric Akita
  • 22 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

A minha decisão de ir para o Pan-Americano de Trail, em novembro na Colômbia, em vez do Mundial de Trail, em setembro na França, foi motivada, sobretudo, por questões de programação e logística. Quando recebi a confirmação de que poderia participar de ambos, entre o final de abril e o início de maio, eu já tinha toda uma estrutura organizada para a França, onde passaria 48 dias. Além disso, já havia firmado compromissos com meus patrocinadores para provas como a Paraty by UTMB, em setembro.


Outro fator determinante foi a saúde. Como tive dengue no período de classificação, não pude correr a prova de Long Trail (80k) e tive que optar pelo Short Trail (42k), que não é exatamente a minha especialidade. Como o Pan-Americano caiu em setembro — período em que saio das trilhas para focar em treinos de velocidade —, o calendário se encaixou perfeitamente. Somado a isso, o fator financeiro pesou, pois competir na América do Sul estava mais alinhado ao meu orçamento.


A preparação e o desafio na lama


Para chegar bem no Panamericano de Trail, foquei em um treinamento específico de 20 dias em Campos do Jordão. Escolhi a região não apenas pela altitude, mas pela facilidade de acesso às montanhas, já que moro em uma cidade plana. Como a prova seria no clima do Caribe, eu esperava muito calor e umidade. Treinei sob o sol forte, mesmo no clima fresco de Campos, para preparar a cabeça para o abafamento. No meu último treino longo na Luminosa, o sol estava estalando. Eu me sentia pronta.


O que eu não esperava era enfrentar tanta chuva e barro lá na Colômbia. Do começo ao fim, o percurso era um verdadeiro lamaçal. Isso me frustrou um pouco, pois correr no barro ainda é uma habilidade que estou aprimorando. No entanto, o meu preparo físico e psicológico falou mais alto. Eu fui para o Panamericano com o objetivo claro de trazer uma medalha para o Brasil. Mesmo com as dificuldades técnicas, mantive a mente forte para segurar a minha posição até o fim. Conquistei a medalha de bronze no Short (42k / 2.363+) com o tempo de 5h26m54s.



O espírito de equipe


A integração da nossa equipe foi maravilhosa. Lutamos juntas do início ao fim, todas com a mesma garra. Sabíamos que o Brasil tinha chances reais de ser top 3 e cada uma deixou o seu máximo na trilha. O clima de apoio mútuo motivou a delegação a conquistar o resultado. Eu assumi um papel de "mãezona", cuidando das atletas mais novas. Na nossa última reunião antes da largada, tentei transmitir tranquilidade e confiança. No fim, a decisão de priorizar o Pan-Americano se provou acertada, tanto pela periodização quanto pelo sucesso alcançado.



Novos horizontes em 2026: prova de 24 horas e o Mont Blanc Para 2026, meu foco volta para a ultramaratona de plano. Vou estrear na minha primeira prova de 24 horas, encarando-a como um grande teste de parâmetros para o meu maior objetivo: as 100 milhas do Ultra Trail Mont Blanc (UTMB). Tenho o sonho de cruzar aquela linha de chegada em Chamonix, na França, e, antes disso, acredito que tenho condições de buscar os recordes brasileiro e sul-americano nas 24 horas.


Em maio, teremos o Campeonato Brasileiro de Trail. Como não haverá a prova longa no Sul-Americano, talvez eu opte pelo Uphill

ou pela categoria Classic. Como sou boa em subidas, são modalidades que não atrapalhariam meu ciclo para a UTMB. Se eu classificar, excelente; se não, sigo focada nas 100 milhas. Depois do UTMB, o plano é recuperar e iniciar um novo ciclo, quem sabe mirando a La Misión Brasil e o Mundial em 2027. Estou pronta para realizar esse sonho que persigo há mais de cinco anos: cruzar a linha das 100 milhas.


Giovanna Martins

(ultramaratonista e educadora física)

@atletagimartins



Imagens: Arquivo pessoal.

android-chrome-512x512_edited.png

©2023 CORRE JUNTO

  • Instagram
bottom of page