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Além da medalha: As histórias dos corredores do Time Corre Junto na Maratona do Rio

  • 15 de jun.
  • 8 min de leitura

A Maratona do Rio é conhecida por sua beleza e magnitude, mas a verdadeira essência da prova ganha vida nas passadas de quem supera os próprios limites. Nesta coletânea, convidamos você a se emocionar com os relatos marcantes dos corredores do time Corre Junto: histórias que vão da superação profunda de uma corrida pós-câncer ao renascimento e à força da corrida pós-maternidade, passando pela resiliência inabalável do retorno após uma grave lesão. São trajetórias inspiradoras que provam que, no asfalto ou na vida, nenhum passo é dado sozinho.  


“Esse ciclo de treinos para os 21 km da Maratona do Rio foi curto, intenso e cheio de acontecimentos — muitos deles muito especiais. Apesar de alguns contratempos pelo caminho, cheguei à prova lembrando de algo que, às vezes, a gente acaba esquecendo: correr é para ser divertido.


Um dos momentos que mais marcou essa preparação foi o convite do Corre Junto para o lançamento do On Cloudsoma. Estar cercada por pessoas que compartilham essa paixão me fez lembrar exatamente por que eu amo correr. Ali eu decidi que iria para o Rio com um objetivo simples: aproveitar cada quilômetro. E foi exatamente isso que aconteceu.


Essa foi a minha primeira meia maratona depois do nascimento da minha filha, e poder viver esse momento com ela por perto tornou tudo ainda mais especial. E, claro, nada disso seria possível sem o Vini, meu parceiro de vida, de logística e de torcida. Durante a prova inteira, fui com o sorriso no rosto. Lembrei várias vezes do que o Vini me dizia: “Vai se divertir.” E eu levei isso comigo do começo ao fim.


Corri leve, curtindo a energia única da Maratona do Rio, a cidade, a torcida e a sensação maravilhosa de estar ali. Sem pressão, sem cobranças exageradas, apenas aproveitando o percurso e celebrando tudo o que a corrida me proporciona.


No fim, ainda consegui um pace que me deixou muito feliz e conquistei meu RP que parecia impossível. Mas o melhor resultado não foi o relógio. Foi cruzar a linha de chegada sorrindo, com a certeza de que a corrida continua sendo um dos lugares onde eu mais me divirto.”


Fátima Scudeler

@fatimascudeler.nutrir



“Corri o Desafio na Maratona do Rio: 21 km no sábado e 42 km no domingo. Foi muito bom, muito emocionante! É claro que é um grande desafio, mas, como eu sempre digo, não tem nada impossível para um ser humano preparado. E eu me preparei muito para estar ali. Foram meses de treino e dedicação fazendo o ciclo.


Inclusive, eu tinha feito todo esse ciclo no ano passado. Porém, faltando apenas uma semana para a prova, tive uma lesão importante: uma fratura por estresse de grau 2. Eu não sentia tanta dor, mas decidi fazer um exame para tratar direitinho e descobri que a situação era bem pior do que parecia. Por conta disso, não pude correr. Fiquei extremamente chateada porque faltava menos de uma semana para o evento. Tive que parar totalmente de correr por três meses, fiz fisioterapia e só então retomei os treinos, evoluindo aos poucos: voltei correndo 3 km, depois 5 km, 7 km, 10 km... No fim do ano, eu já estava consolidada nos 10 km.


Como as inscrições tradicionais já tinham se encerrado, o único jeito de conseguir uma vaga no Desafio era participando do sorteio pela Loteria Federal. Eu me inscrevi e fui contemplada! Pensei: "Então vamos lá, vamos fazer tudo de novo". Como eu já sabia como seria a dinâmica do ciclo, estava muito animada e decidi fazer algumas coisas diferentes. Suplementei melhor, me alimentei com mais atenção e aumentei a ingestão de carboidratos, além de tomar vitamina D, complexo B e ômega 3. Fiz toda essa adaptação e fui subindo o volume de rodagem aos poucos. Deu tudo certo e não senti nenhuma dor. Havia uma insegurança grande na minha cabeça — e nas pessoas à minha volta — sobre se a dor voltaria quando o volume de treinos ficasse alto, mas felizmente fiz o ciclo inteiro super bem.


Chegou o momento da prova. Nos 21 km de sábado, o percurso foi maravilhoso; corri segurando o ritmo e me poupando, pensando que no dia seguinte teria os 42 km pela frente. No domingo, estabeleci uma margem de ritmo bem segura e tranquila para correr, segui o planejado do início ao fim e não saí dela. Claro que correr uma maratona é algo grandioso, mas não tive nenhum grande sofrimento, dor ou câimbras. A minha vontade era tanta por ser a minha segunda tentativa, que eu sabia que nada me faria desistir. Pensamentos negativos não passaram pela minha cabeça em nenhum momento. Pelo contrário: a prova é linda, tem um cenário maravilhoso e inexplicável. Quando vi, os 42 km já tinham terminado e eu já estava pegando a minha medalha do Desafio. Recomendo muito, esse percurso foi espetacular!”


Ana Carolina Morais

@moraisanacarolina



“Depois que corri a Maratona de Buenos Aires em 2022, disse que nunca mais correria uma maratona. E fui firme até 2025, quando, na véspera da Tutan em Penedo, tive um mal súbito. Era uma pedra nos rins, problema comum, fácil de resolver, mas os exames indicaram um problema maior: era um tumor com chances reais de ser maligno. Fiz a cirurgia para remoção em agosto e o diagnóstico se confirmou: câncer. 


Quando estava no CTI, disse à minha esposa que voltaria a correr uma maratona para provar que essa doença não foi um ponto final na minha vida, e que não precisava ser na vida de ninguém que tivesse o mesmo diagnóstico. Escolhi o Rio. Por ser em "casa", por ser a maior do Brasil e, principalmente, pelo percurso. Pouco mais de 9 meses depois, lá estava eu na largada na Praia da Reserva, assistindo ao nascer do sol enquanto largava, e ele me acompanhou durante toda a prova, como uma luz provando que eu estava vivo, estava bem e estava ali. Dividindo a minha conquista com tantos outros, com tantas vitórias diferentes, mas que compartilhavam a mesma alegria em completar esse desafio.”

Renato Pessôa @renatopessoa



“Minha relação com a Meia Maratona do Rio é especial. Foi lá que corri minha primeira meia maratona de rua, em 2021, e fechar essa prova com meu recorde pessoal esse ano foi, sem dúvida, um dos pontos altos do fim de semana.


Uma das coisas que me chamou a atenção de forma positiva esse ano foi a organização. A expo estava muito mais atrativa no novo formato e achei o controle das ondas de largada muito mais eficiente, com maior fiscalização e respeito aos setores definidos na inscrição. Além disso, havia maior número de pontos de hidratação, o que também ajudou a não deixar o espaço lotado para pegar água durante o caminho.


O percurso continua sendo, para mim, um dos mais bonitos do Brasil. Correr observando a Praia de Ipanema ao amanhecer já é algo especial, mas entrar em Copacabana com a luz ainda suave e o sol surgindo aos poucos no horizonte é uma das imagens mais bonitas que já vivi correndo. E as pessoas acompanhando durante todo o percurso, gritando e incentivando, criam uma atmosfera contagiante que dá um impulso extra naqueles momentos em que mais precisamos.”


Denise Brito

@denisefb




“No último sábado, dia 6 de junho, fiz minha estreia na distância da meia maratona durante a Maratona do Rio, e a data não poderia ser mais especial: foi exatamente no meu aniversário de 24 anos, o que tornou tudo ainda mais emocionante. Essa conquista tem um significado muito particular pra mim, porque foi justamente depois de uma internação por complicação pulmonar que eu comecei a correr. Foram três anos de processo até me sentir pronta para encarar uma meia maratona, uma distância que por muito tempo pareceu completamente fora do meu alcance.

O dia estava perfeito e a energia da Maratona do Rio é simplesmente surreal. A torcida nas ruas, a animação do público, tudo contribuiu para que a prova passasse voando. Mas o que tornou o percurso ainda mais especial foi ter ao meu lado uma grande amiga que, mesmo podendo correr em outro ritmo, escolheu fazer essa prova comigo do começo ao fim. Porque, como dizemos no corre junto, todo passo é coletivo, e essa prova foi a prova viva disso.

Terminei com a sensação de que poderia fazer ainda mais, sem aquele desgaste típico de pós-prova, mas com fome e sede de novos desafios. A organização estava muito boa, com bastantes pontos de hidratação e sem nenhum perrengue no caminho. Se alguém me perguntar se vale a pena fazer a Meia Maratona do Rio como primeira meia, eu indico sem hesitar!”

Vitória Thouin @vitthouin



“A Maratona do Rio não estava nos meus planos originais. Minha prova-alvo e primeira ultra será a Paraty by UTMB, em setembro, onde decidi encarar os 58 km para me desafiar na imponente Pedra da Macela. Eu precisava de uma prova no meio do caminho para testar a minha evolução, mas por conflitos de agenda acabei não correndo os 35 km de uma prova de trilha no mês passado. Calhou de eu ter uma consulta médica no Rio de Janeiro no mesmo fim de semana da maratona. Mandei uma mensagem para o meu treinador, Manuel Lago, perguntando se ele tinha algum treino para mim no domingo, já que eu estaria na cidade. Ele disparou: “Tem a maratona”. Ele conseguiu o número de inscrição e combinamos que a minha meta real ali seriam apenas 35 km. Fui para o Rio sozinha, de ônibus, apenas eu e a minha malinha em um verdadeiro bate e volta para me expor a esse desafio.


Mas correr no Rio é, sem sombra de dúvidas, um aprendizado de vida. Você sai de lá com a certeza de que, junto, a gente sempre vai mais longe. Por volta do quilômetro 28, comecei a comemorar por ter completado os mesmos 27 km que fiz em Paraty no ano passado. Comecei a fazer contas na cabeça: se eu fizesse mais 7 e pouco, bateria a meta dos 35 km. Mas, ao atingir essa marca, a mágica aconteceu. O pessoal na rua — idosos, crianças, brasileiros, gringos, uma torcida genuína passando Gelol na gente — começou a olhar fixamente nos meus olhos e gritar: ‘Vai, maratonista!’. Ali não havia nome, não era a Luísa correndo; era todo mundo unido em prol de um objetivo final. Foi essa energia contagiante, em um dia lindo e com o clima perfeito, que me fez decidir: ‘Agora eu vou completar esse trem!’.


Cruzada a linha de chegada, ficou o sentimento de algo meio místico. Quando corro em trilha, costumo falar sobre os portais que vamos ultrapassando à medida que os quilômetros avançam, pois somos desafiados no limite mental, físico, emocional e ambiental. É tanta coisa que nos coloca em uma esfera onde passamos a acreditar que o divino está conosco, e na maratona eu senti exatamente isso. Eu queria ter asas nos pés para que me levassem a uma divindade superior. Embora estivesse sozinha na prova, sem meu marido e meu filho, em nenhum momento me senti desamparada. A corrida me provou que eu não estava correndo só.


Saio dessa experiência com a plena convicção de que todo ser humano, pelo menos uma vez na vida, deveria traçar uma meta audaciosa em algum esporte, mesmo que seja pular corda. Ao longo de 42 quilômetros dá para pensar em muita coisa, e esses ensinamentos mudam quem nós somos. Mudam a nossa compreensão sobre os limites do corpo e as nossas prioridades, mas transformam principalmente a maneira com que decidimos caminhar por essa trajetória mundana. Correr no Rio é pura vibração e magnitude. Para mim, a maratona representou muito mais do que um teste físico: foi um verdadeiro divisor de águas espiritual.”


Luísa Domingos

@luisa.bioagro




Na minha opinião, a mudança no percurso da Maratona do Rio foi muito positiva. Logo na largada já é possível sentir a diferença: a avenida mais larga facilita bastante a dispersão dos atletas, o que deixa o início da prova muito mais confortável. Além disso, os primeiros 15 km são praticamente retos, com poucas oscilações e sempre acompanhados pelas praias e montanhas do Rio, o que torna o percurso leve e agradável.


A subida do Joá, que tem uma vista incrível por volta do km 19,5, marca uma mudança importante na prova. Apesar de ser uma subida longa, ela permite manter um bom ritmo e, logo depois, se você não exagerou descendo e ainda tiver pernas, é aí que a maratona realmente começa. É nesse trecho que dá para acelerar, seguindo pelo Leblon, Ipanema e Copacabana, aproveitando toda a paisagem do percurso.


Os quilômetros finais voltam a ser desafiadores, afinal já são mais de 37 km nas pernas, mas a energia da torcida faz toda a diferença: os gritos de incentivo renovam as forças e empurram os corredores até a linha de chegada.”

Emilly Oliveira @emi_eo



Imagens: Arquivos pessoais.

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