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Gestão de crise e performance: meu relato na Transgrancanaria (por Johnny Luna)

  • 30 de mar.
  • 3 min de leitura

A decisão de competir na maratona (de 46k) da Transgrancanaria, nas Ilhas Canárias (Espanha), veio principalmente pelo perfil do percurso e pela oportunidade de competir contra alguns dos melhores atletas de trail da Europa. Depois de estudar o trajeto, senti que era um terreno que poderia favorecer minhas características como atleta. Além disso, a prova faz parte do calendário de eventos apoiados pela The North Face, meu patrocínio.


Os treinos para a TGC foram construídos junto com meu treinador, Jason Koop, tendo em mente objetivos maiores ao longo da temporada, especialmente provas importantes em agosto. Dividimos o treinamento em dois blocos principais: um bloco de volume de cinco semanas, seguido por um bloco de intensidade de quatro semanas.



Durante o bloco de volume, realizei dois treinos longos por semana, com duração entre 3 e 5 horas, além de dois treinos de intensidade moderada em ritmos que consigo sustentar por 2 a 4 horas (sessões como 2x20 minutos ou 40 minutos contínuos). Nesse período, mantive uma média de aproximadamente 12 horas semanais de corrida. Optei por manter o volume um pouco mais controlado, já que estava retornando de uma lesão, mas ainda assim senti que consegui construir uma base sólida.


No bloco de intensidade, passamos a incluir dois treinos semanais focados em VO₂ (sessões como 5x5’ ou 7x3’), mantendo cerca de 11 horas semanais de corrida. A ideia foi preservar consistência no volume e facilitar a retomada do treinamento normal após a prova.

A prova em si foi muito legal. As subidas são íngremes e técnicas, e as descidas são corríveis, mas também exigem bastante técnica. Como sempre, a largada foi rápida, e decidi correr no meu próprio ritmo. Cheguei no cume mais ou menos 4 minutos atrás dos líderes.



Minha equipe de apoio não chegou no primeiro PC porque fecharam a estrada. Então, depois de mais ou menos 90 segundos esperando e procurando minha equipe, decidi encher minha garrafa e pegar os géis (226ers) da própria prova. Funcionaram bem, mas depois da prova percebi que cada gel tinha 50 g de carbo, e não 30 g como eu imaginava. No fim das contas, dei muita sorte de não ter passado mal (kkkk). Plano original de abastecimento:

Largada → PC1 - 60 min

500 ml com 90 g de carbo e 600 mg de sódio


PC1 → PC3 - 90 min

750 ml com 130 g de carbo e 800 mg de sódio


PC3 → chegada - 60 min

750 ml–1 L com 90 g de carbo e 800 mg de sódio


Bom, nesse tempo, uns três corredores me passaram. Fiquei calmo, mas acelerei para tentar voltar para a posição em que eu estava. Com o tempo, fui passando esses corredores e me adiantando novamente na classificação geral. Até que, na descida entrando no último PC (km 30–35), um câmera runner me disse que eu estava em segundo, uns 20 segundos atrás do primeiro colocado, Antonio Martinez. Nesse ponto, decidi continuar correndo com calma e tentar me poupar para a última subida (e também deixar passar um pouquinho de náusea que eu estava sentindo).


Na última subida, fiz o meu melhor para manter a posição, mas os outros corredores estavam mais fortes e acabei perdendo algumas posições. Nos últimos 10 km, comecei a sofrer com câimbras abdominais e segurei o máximo possível para não vomitar.


Terminei em 3h32, uns 6 minutos atrás do primeiro colocado.


Super feliz de começar a temporada dessa maneira!


Johnny Luna Lima

(atleta The North Face e campeão brasileiro de short trail em 2024)



Imagens: Arquivo pessoal.

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