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As 100 milhas da afirmação: Rodrigo Oliveira e a conquista da Mons Ultra Trail

  • 23 de mar.
  • 3 min de leitura

Decidi correr as 100 milhas (160 km) da Mons Ultra Trail no final da temporada 2025 movido pelo gosto de me desafiar em distâncias longas e extremamente técnicas. Para um ultramaratonista, as 100 milhas representam o teste definitivo, onde o equilíbrio entre estratégia, resistência física e experiência mental faz toda a diferença entre cruzar a linha ou ficar pelo caminho.


A Mons Ultra Trail se apresentou como o cenário ideal: uma prova exigente, em um cenário incrível, e uma oportunidade de ouro para evoluir como atleta e representar bem o Brasil no trail. Além do fator esportivo, a alta premiação em dinheiro — algo ainda incomum em provas no Brasil — foi um grande atrativo. Essa oportunidade foi, inclusive, o que me motivou a abrir mão de defender a seleção no Campeonato Pan-Americano de Trail. Ao me sagrar campeão das 100 milhas, recebi um prêmio de US$ 3.500, um valor fundamental para ajudar a custear os altos gastos que tenho com preparação e logística de provas.



Ciclo de treinamento: volume, altimetria e fortalecimento


Minha preparação foi desenhada de forma muito estruturada e consistente com meu treinador Raphael Bonatto. O foco central foi o aumento progressivo do volume semanal para suportar as longas horas de esforço contínuo. Trabalhei especificamente a resistência, sem negligenciar treinos de altimetria, fundamentais para encarar as subidas íngremes e o controle necessário nas descidas técnicas.


Durante o pico do ciclo, cheguei a registrar semanas com mais de 150 km rodados e cerca de 5.000 metros de ganho de elevação. A rotina era um equilíbrio constante entre treinos longos em trilha, sessões de intensidade e treinos regenerativos. Para sustentar esse volume e prevenir lesões, mantive uma rotina rigorosa de fortalecimento de pernas e core, essenciais para manter a eficiência da corrida em terrenos instáveis. Além disso, utilizei algumas provas menores durante o ciclo como laboratórios para ajustar meu ritmo, estratégia de nutrição e equipamentos.


Adrenalina e gestão mental no dia da prova


O pré prova foi marcado por muita concentração. Dediquei os dias anteriores ao descanso, revisão minuciosa de equipamentos e estudo do percurso. Sabia que o nível dos atletas na largada seria alto, o que me exigiu foco total e confiança no trabalho feito nos meses anteriores. Na largada em Nova Trento, a adrenalina estava alta, misturando ansiedade e expectativa. O clima se mostrou um desafio à parte: muito calor, trechos úmidos e um terreno técnico que exigia atenção constante e controle rigoroso de ritmo. Nos postos de controle, contava com o apoio e torcida da minha esposa Alcione e do meu ex-treinador e parceiro de treinos Dâner Marion. Eles foram de extrema importância na prova e sou muito grato por terem me apoiado!


Minha estratégia foi correr com inteligência, evitando o desgaste excessivo nos primeiros quilômetros. Em provas dessa magnitude, momentos difíceis são inevitáveis — o cansaço acumulado, as subidas brutais e o silêncio das noites solitárias na montanha testam o atleta. Nesses momentos, a cabeça faz a diferença. Pensei muito em todo o suor derramado no treino para estar ali. Conforme os quilômetros passavam, consegui manter um ritmo forte e, por volta do km 50, percebi que estava na briga direta pela liderança. Essa percepção me deu o combustível necessário para seguir pressionando até o fim.


Cruzar a linha de chegada e conquistar o título foi uma emoção enorme — a recompensa máxima de meses de disciplina, treino e do apoio incondicional de patrocinadores e pessoas que acreditam no meu trabalho.



Planejamento para 2026


A temporada de 2026 está sendo planejada com cautela, escolhendo provas estratégicas para manter o nível competitivo e chegar forte nos grandes objetivos. Após a vitória na Mons, quero continuar focado em provas de longa distância e alto nível. Algumas competições de 60 km a 100 km servirão como preparação para ajustar nutrição e equipamentos.


Meu calendário para o restante do ano inclui o Campeonato Sul-Americano de Trail na Bolívia, em abril, a La Misión Brasil (110k), em agosto, a Paraty by UTMB (108k), em setembro, e as 100 Milhas da Mons Ultra Trail, em um retorno para defesa de título, em novembro.


O grande objetivo é representar o Brasil com excelência nos principais campeonatos de trail, buscando evoluir cada vez mais e consolidar meu nome entre os principais ultramaratonistas da modalidade no cenário mundial.


Rodrigo Oliveira (carpinteiro e ultramaratonista de trilha)



Imagens: Arquivo pessoal.

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