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La Misión 2026: histórias que as montanhas ajudaram a escrever (parte 2)

31 de ago.
11 min de leitura

As trilhas desafiadoras da Serra Fina continuam revelando que a La Misión Brasil vai muito além do cronômetro. Em Passa Quatro (MG), a montanha testa limites, cria memórias inesquecíveis e transforma cada atleta que aceita o seu chamado. Nesta segunda parte da nossa série de relatos, compartilhamos trajetórias incríveis do time Corre Junto: desde o feito de uma jovem revelação do trail nacional que cravou o título de campeão, até a garra de quem superou uma lesão e o atendimento da equipe médica para cruzar a linha de chegada, além da emoção de quem encarou a imponência da Serra Fina pela primeira vez. Confira como cada passo nessa prova marcou a vida desses corredores.


“Falar da La Misión é falar de uma experiência que vai muito além dos 80 quilômetros.

Foram 22 horas e 23 minutos atravessando a Serra Fina, encarando uma montanha linda, imponente e, ao mesmo tempo, absolutamente indiferente aos nossos planos.

Eu tinha claro na minha mente qual era a minha estratégia, mas a prova rapidamente me obrigou a abandoná-la. Tive um probleminha no meu pé e com o meu bastão, um deles quebrou do nada. E precisei me adaptar.


Depois vieram o desgaste, as dificuldades para me alimentar e os momentos em que continuar deixou de ser uma decisão física e passou a ser uma conversa muito íntima comigo mesmo. A montanha foi tirando uma a uma todas as minhas certezas, até restar apenas a vontade de seguir em frente. Afinal de contas, um dos lemas da prova é: 'chegar é vencer'.


Cruzar a linha de chegada depois de tudo isso, de fato, não representou apenas completar mais uma ultramaratona; foi reencontrar uma parte de mim, talvez, que estivesse adormecida. A La Misión me lembrou que resiliência não é seguir intacto, é continuar mesmo quando o plano quebra, o corpo reclama e você precisa construir uma nova maneira de avançar.


Voltei cansado, sim, machucado, mas profundamente grato. Porque existem provas que terminam na linha de chegada e outras, como a La Misión, continuam dentro da gente por muitos e muitos anos.


É isto! Espero que cada um de vocês curta esse depoimento e, principalmente, não desistam dos seus sonhos. Sejam protagonistas dos mesmos e, principalmente, nunca deixem ninguém falar que você não é capaz de realizar algo grande, e jamais subestime algo que você já realizou.”

Cícero Barreto



“Vivi uma experiência que me fez entender a importância de um tema sobre o qual raramente falamos e que muitas vezes nem paramos para checar como a organização cuida: a segurança médica do atleta.


Desloquei o ombro durante a descida de uma das trilhas. Caminhei com muita dor até um PC que estava a 2 km de distância e ali pude sentir na pele a segurança que a La Misión traz aos seus participantes.


Fui atendida pelas fisioterapeutas, que imobilizaram o ombro sem tentar colocá-lo no lugar, aconselhando que essa manobra fosse feita pelo médico do PC seguinte, a 3 km de distância. Ofereceram transporte até lá, mas isso me tiraria da prova e, imobilizada, prossegui, com o Celso carregando o meu equipamento além do dele.


Ao chegar nesse segundo PC, o médico, avisado pelo rádio, já me aguardava e fez a manobra necessária, imobilizando novamente o ombro e me perguntando se eu queria prosseguir ou parar. Faltavam então 8 km para a linha de chegada e decidi continuar. Quando cruzei a linha de chegada, a Dra. Camila, também avisada por rádio, já me aguardava com a ambulância, que me levou ao hospital para um raio X.


Agradeço à fisioterapeuta Nayra Rebelo, ao Dr. Pedro e às Dras. Camila Romano e Beatriz de Medeiros pelo profissionalismo e pelo carinho com o qual fui atendida em meio a uma prova que teve vários atendimentos, boa parte deles certamente mais graves do que o meu.”

Rosa Noronha





“Foi minha primeira La Misión e eu ansiava por essa prova o ano inteiro, era minha prova-alvo de 2026. Cheguei em Passa Quatro e me impressionei com a organização, o cuidado e o direcionamento das pessoas, ali eu entendi na prática o que as pessoas falam: "não é só correr", é um evento, é o momento de reunir muita gente que ama o esporte e ama a montanha.


Eu era uma das 1.000 atletas dos 15 km, e quando a Fabi começou o discurso da largada, não teve jeito, bateu aquele frio na barriga, aquela ansiedade e vieram na cabeça todos os treinos, todas as semanas e tudo que aconteceu até chegar ali, na prova-alvo. O treinador (Chico Santos) me alertou algumas muitas vezes sobre as subidas íngremes, mas nada se compara a estar ali e ver a subida da Lagarta. Vi gente literalmente rastejando montanha acima, os bastões me ajudaram muito, e eu só agradeci não estar chovendo, porque do jeito que estava seria um lamaçal hehehe.


Teve também uma mudança de horário que pra quem gosta de correr cedinho mexeu um pouco com o psicológico rsrs largamos às 9h pra evitar cruzar com o pessoal dos 7 km e gerar gargalo, mas mesmo assim, formou um engarrafamento daqueles logo na primeira subida, perto da Cachoeira da Flona, todo mundo parado, esperando espaço pra seguir, dá até uma ansiedadezinha, mas faz parte, sinal de que o trail só cresce. Saí de Passa Quatro feliz, bem, enfim, Misionera rsrs. E já na expectativa de 2027 para fazer a La Misión de novo.”

Veridiane Ramos




“Essa La Misión para mim foi muito especial porque neste ano eu venho treinando bastante. Eu não tenho feito tantas provas, então estou escolhendo bem cada prova. E venho trabalhando bastante no asfalto. Essa foi a minha prova-alvo do ano e venho trabalhando desde o início do ano com foco nessa prova.


Na disputa dos 15k da La Misión, tinha visto que o Douglas Gouveia seria o meu principal adversário ali. É um cara muito forte e experiente, mas sabia que eu estava bastante treinado. Então, a gente largou e, desde o início da primeira subida, consegui abrir uns 50 a 60 metros dele, e ficou assim a prova toda até o último aceiro.


Eu acho que chegou um momento em que a gente não tinha mais força porque tínhamos mantido até lá um ritmo muito forte durante a prova. E o gap que eu abri se manteve e eu consegui me consagrar campeão. Junto com todo mundo lá, estavam todos os meus patrocinadores, meus pais, todo mundo muito orgulhoso, então foi muito especial para mim.


E também calhou que ficou mais especial que o meu patrocinador a Smurfit Westrock, ofereceu um prêmio incrível para os atletas patrocinados se fossem campeões: uma viagem para o UTMB em Chamonix em 2027. Então, eu e o Wellington Noronha, como a gente ganhou a nossa prova, a gente vai lá para Chamonix ano que vem. Então, isso deixou mais especial ainda.”

João Muniz




“Este ano voltei para a La Misión Brasil para a distância de 15 km para me redimir do último ano que eu fiz essa mesma distância, mas naquela oportunidade não me senti bem preparada porque eu fiquei lesionada faltando 30 dias para a prova e eu não consegui treinar direito a corrida e nem tentar treinar a altimetria, o ganho de altimetria que eu ia fazer e executar na prova.


Então, eu me preparei muito bem para este ano. Eu tive um ciclo perfeito, tanto em treinamento de força como no treinamento mesmo em trail específico. Então, eu fiz bastante treinamentos na mesma quilometragem com a mesma altimetria que eu ia executar na prova, e foi tudo perfeito. Eu cheguei muito bem preparada.


Eu me senti bem o tempo todo na prova. Eu aca- eu acho que eu até acabei chegando um pouco sobrando para essa prova, né, digo na distância, que eu estava preparada até para fazer uma distância maior, mas eu fiquei muito, muito contente mesmo porque eu terminei inteira, terminei bem.


No início, confesso que eu acabei perdendo um pouco de tempo ali no início da prova, que tinha uma subida longa e acabou afunilando ali e ficou uma fila indiana, e isso acabou atrapalhando o meu tempo final. Mas eu consegui começar a correr mesmo a desenvolver a minha prova a partir do quilômetro 3,5, 4. E aí foi tranquilo até o final.


Bom, eu amo essa prova, La Misión Brasil, porque é uma organização impecável, não tenho o que falar. É uma das provas mais bem organizadas que eu conheço, falando no mundo do esporte de maneira geral, né? Eu costumo fazer provas de triathlon, de bandeiras grandes no triathlon, como a bandeira do Ironman, Challenge e outras. E já estive em outras provas de trail fora do Brasil, como a Patagonia Run, que é uma referência também de organização, e a La Misión Brasil, ela entrega tudo de melhor.


O clima da cidade é perfeito, é um clima excelente entre os atletas, a hospitalidade da cidade te recebe muito bem.


Então, assim, eu adoro mesmo essa prova e, com certeza, estou aguardando o dia da inscrição porque eu vou voltar em 2027.”

Glaucia Lippel




“Escolhi a La Misión justamente porque foi a minha primeira minha primeira ultramaratona e eu queria que fosse especial, assim como a La Misión é especial para quem gosta de trail, por conta da Serra Fina e por por tudo o que ela representa, assim.


É algo que eu pesquisava muito antes. Já sabia que não seria fácil, que, literalmente, não é só correr. E, mas é algo que desde quando eu consegui comprar a inscrição, eu fiquei muito feliz, estava muito focado, treinei muito. Passei, dentro dentre os treinamentos, passei ali por alguns inconvenientes, consegui seguir treinando, passei por cima. E, assim, chegou, né, esse momento. Estava cercado de amigos, estava muito feliz, estava com a minha esposa. Acho que ela me apoiou muito, ela também fez uma distância, né, um pouco menor, de 15 km, que com certeza foi incrível também.


E acho que é uma experiência muito única. A gente só tem dimensão do que é a Serra Fina, do que é participar de um de uma prova desta dimensão, né, quando a gente tá lá em cima da montanha sofrendo depois de muitas horas, exausto, cansado, mas com aquele objetivo de de concluir, de que você foi lá para isso e não tem opção a não ser concluir aquela prova, independente de quantos horas você precise gastar, quanto esforço você precisa empenhar ali. Mas, enfim, acho que é uma coisa que só quem quem faz sabe o sentimento que é concluir, a satisfação, é uma coisa incrível e que no começo assusta um pouco, né? Mas agora que a gente já tá se recuperando, com certeza é uma loucura que dá para pensar em fazer novamente, pela experiência incrível que é mesmo.


E acho que muito em questão também de todo o apoio que eu tive, né? Muitos amigos também fizeram a prova, treinaram junto comigo durante todo esse processo, e minha esposa, que também sempre me deu força, sempre me apoiou e, inclusive, depois de 17 horas de prova, ela estava lá me esperando. Acho que foi o maior presente para para premiar aí essa jornada de La Misión, Serra Fina e agora ultramaratonista.”

Leandro Bellini




“É difícil dizer e encontrar palavras do que foi essa La Misión, né? Primeira vez e eu tô muito, muito feliz, dolorida. Eu digo que é a medalha mais linda e a mais dura que eu já pude conquistar, sabe?


Tem coisas que a gente nunca vai conseguir explicar. É só vivendo mesmo, sabe? Sentindo. É muito lindo e eu tô muito, muito feliz. E já pensando em 2027.


É uma prova muito emocionante e que nos mostra o quão forte nós somos em todos os sentidos.


E não tem como a gente não se emocionar. Só de falar a voz fica embargada e... e eu sou muito grata a Deus de ter vivido tudo o que eu vivi ali. É isso.


Eu só pensava na minha família e em tudo que eu treinei. E fui muito feliz em cada km conquistado. Sabe, o medo quer nos parar e eu venci cada um deles com muita garra e coragem de fazer acontecer e hoje tenho certeza que nada e nem ninguém pode parar quem está determinado a vencer.”

Maria Francisca da Silva




“Corri os 35 km da La Misión. E foi a minha primeira vez na prova. Então, só por isso já foi muito especial. Eu acompanhei as edições anteriores, mas nunca deu certo de eu ir, de fato, correr. E acabei comprando nessa muvuca que foi venda das inscrições para a La Misión, e deu certo. Mas, em contrapartida, já tinha duas provas importantes no meu calendário: Maratona de Roma e SP City Marathon. E pensei: 'Ah, mesmo assim eu vou. Eu vou!'.


A cidade de Passa Quatro é muito aconchegante, muito acolhedora. Não tem muito o que falar da prova porque, para quem já foi, sabe o que eu estou dizendo. É uma prova muito dura. Eu fui mentalmente e fisicamente bem treinado para lá. Bom, confesso que fisicamente, assim, essa parte de subida você nunca está 100%. Então, acho que para um próximo ano, que eu já estou mirando a distância ultra, vou bem melhor do que fui este ano. 


Apesar de dura, foi uma prova que eu curti muito. O clima de trail é muito gostoso, bem diferente da corrida de rua que eu estou acostumado a praticar. E tem outra coisa que tornou a La Misión mais especial ainda: finalmente cruzei uma linha de chegada com os meus dois filhos! Já tinha tentado em outras oportunidades, como nas maratonas que eu fiz e também em outras provas de trail. E na La Misión deu certo porque logo quando eu entrei na rodoviária ali, eu já peguei eles e eles vieram comigo até a chegada. Foi uma sensação e uma experiência muito gratificante. Só tenho a agradecer!”

Felipe Araújo



“A La Misión 25K foi especial porque me tirou completamente da zona de conforto. Apesar da experiência com esporte e provas longas, a montanha me colocou em outro lugar: era preciso pensar com os pés, mãos e, principalmente, com a cabeça. Nas subidas, economizar; nas descidas, respeitar o terreno; e, quando o caminho parecia não ter fim, uma paisagem de tirar o fôlego, literalmente. Foi uma prova muito mais de paciência e estratégia do que de velocidade.


O que mais ficou comigo foi perceber como mente e corpo conversam durante a prova. Quando o relógio apertava, a vontade era acelerar, mas a montanha pedia controle. Dividir o percurso em pequenos objetivos — o próximo PC, a próxima subida — ajudava a seguir. E havia ainda o companheirismo: pessoas que você nem conhece incentivando, dando passagem ou oferecendo ajuda. Na trilha, diferentemente de alguns outros esportes, fica evidente que ninguém chega sozinho.


Cruzar a chegada foi emocionante, mas o mais especial foi toda a jornada. Pensei na minha equipe, na família e em todos que fizeram parte daquele processo e senti uma enorme gratidão. A La Misión me lembrou que esporte não é apenas resultado: é respeitar limites, continuar avançando, cuidar de si e encontrar alegria no caminho.” Silvia Schreer

“A La Misión é a queridinha de quase todo mundo que corre trilha e montanha no Brasil. A gente passa o ano inteiro montando ciclos de treino e se preparando com foco nela. Os melhores atletas do país estão lá — desde quem compete profissionalmente até quem leva o esporte como um hobby muito sério. Passa Quatro respira corrida de montanha: os moradores, a organização, a cidade inteira abraça o evento. É uma energia tão incrível que podemos dizer que é a 'Chamonix brasileira'.


A estrutura é impecável: marcação de percurso, hidratação, alimentação e a recepção na chegada... Só quem vive entende por que as vagas esgotam tão rápido.


Minha preparação para esta edição não foi como eu gostaria. Tive contratempos, fiquei doente duas vezes e cheguei a passar semanas sem conseguir treinar. Fui para a prova com a expectativa baixa, o que acabou tirando um pouco da pressão. Como sabia que não estava no meu auge, comecei de forma consciente e mantive um ritmo firme para não quebrar.


Conforme os quilômetros passavam, fui me sentindo bem e recuperando posições. O divisor de águas foi no Campo do Muro: na subida final e em toda a descida em direção a Passa Quatro, consegui ultrapassar vários atletas. Conquistei o 2º lugar na minha categoria e a 12ª colocação geral, um resultado muito superior ao que eu esperava e melhor do que o do ano passado. Como o Paulinho Lamin sempre diz: La Misión não é só correr, é muito mais do que isso." Paulo Moreira



Imagens: Arquivos pessoais.

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