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Mar de montanhas e silêncio: Uma jornada pelo Parque Nacional do Itatiaia (por Renato Pessôa)

7 de set.
3 min de leitura

Desconectar da rotina urbana e se perder entre formações rochosas, vales silenciosos e horizontes infinitos é o convite irrecusável que o Parque Nacional do Itatiaia faz aos amantes da natureza. Ter um paraíso natural tão perto de casa é um privilégio e preparamos, eu e minha esposa Fernanda, um roteiro especial de fim de semana para explorar a altitude e o mar de montanhas do parque.


O Parque Nacional do Itatiaia se divide em duas partes, a baixa e a alta, com acessos distintos. Escolhemos explorar as trilhas da parte alta, pois é lá que se encontram o Maciço das Prateleiras e diversas trajetos que levam à Pedra do Altar, Morro do Couto, Pedra do Sino e à base das Prateleiras, entre tantos outros atrativos. O local oferece níveis de dificuldade que atendem desde os iniciantes até aqueles que procuram uma aventura maior. O acesso é feito pela Garganta do Registro, em Engenheiro Passos, e segue por uma estrada de chão de aproximadamente 17 km, com trechos bem acidentados.



Para o pernoite, há a opção de camping ou o Abrigo Rebouças, que foi a nossa escolha. O abrigo estrutura-se com beliches, fogão a gás e chuveiro quente. O chuveiro traz uma nostalgia para quem é da década de 80, como eu, pois funciona com uma ficha similar às dos antigos orelhões, dando direito a 5 minutos de banho. Não há geladeira, então o ideal é levar alimentos de preparo fácil e que não necessitem de refrigeração. A água das torneiras é potável. Por ser muito procurado, o abrigo deve ser agendado com antecedência. É necessário pagar a taxa de pernoite, a diária de entrada e o estacionamento, mas todo o processo pode ser feito diretamente pelo site do PNI.


Chegamos no sábado por volta das 8 horas da manhã, deixamos nossos pertences no abrigo e já saímos para a trilha da Pedra do Altar: aproximadamente 7 km (ida e volta) de percurso moderado e bem sinalizado. O silêncio local só era quebrado pelo som do vento e pelo canto ocasional dos pássaros. O cenário é deslumbrante e, a cada trecho, o caminho apresenta novas formações rochosas e vistas panorâmicas. Em diversos momentos, parei na trilha não pelo cansaço, mas para fixar aquela paisagem na memória. A vista do topo da Pedra do Altar é maravilhosa e deixa claro o quanto somos pequenos frente àquele mar de montanhas e às cidadezinhas ao longe, que parecem pequenas manchas brancas no meio do verde. É importante levar, além de água e alimentação, um bom agasalho, pois mesmo nos dias quentes o vento é bastante intenso.



No fim da tarde, fomos assistir ao pôr do sol na Torre, ponto que permite acesso de carro. Assistir ao sol descendo rapidamente no céu e mudando a paleta de cores — do azul ao amarelo e laranja, até se diluir na escuridão da noite e dar lugar às primeiras estrelas — é uma experiência de deixar sem fôlego.


A noite traz consigo uma queda brusca de temperatura, que cai tão rápido quanto o apagar de um interruptor. Para os mais corajosos, o céu noturno revela uma quantidade de estrelas que eu jamais pensaria em ver, nem mesmo em documentários de TV. Foi a melhor tela de cinema da minha vida e, se o frio permitisse, com certeza passaria a madrugada inteira observando.


Logo ao amanhecer, saímos para mais uma caminhada, dessa vez rumo à base das Prateleiras, em um trajeto de 5 km (ida e volta). Uma parte do percurso segue beirando o rio Campo Belo, acompanhado por uma mata ciliar rica e várias flores que surgem pelo caminho, colorindo o fundo cinza das rochas. Estando diante daquela imensidão, é impossível não pensar em quanto da natureza permanece intocado por nós.


Deixo o Parque com o coração apertado, mas com a certeza de que este é apenas um "até breve".


Renato Pessôa

Corredor e especialista em gestão estratégica

@renatopessoa



Fotos: Arquivo pessoal / Luciano Sá

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