Notícias da semana: campeões da GTWS, doping de campeã olímpica, Mundial de corrida em esteira e lançamentos da On e Brooks
Elazzaoui e Florea brilham na final e conquistam título da Golden Trail Series O marroquino Elhousine Elazzaoui fez história ao conquistar o seu terceiro título consecutivo na Golden Trail World Series (GTWS), na final realizada em Muju, na Coreia do Sul. Em uma prova marcada por chuva intensa e trilhas técnicas e escorregadias, o atleta de 34 anos completou o percurso de 28,65 km — que contou com 2.313 metros de ganho altimétrico — em 2:49:14, superando o queniano Patrick Kipngeno por apenas 44 segundos. Com essa vitória eletrizante, Elazzaoui garantiu o campeonato geral da temporada por uma diferença de apenas dois pontos sobre Kipngeno.
A disputa masculina foi uma das mais acirradas do circuito, com apenas 46 pontos separando os três principais favoritos antes da largada na Coreia do Sul. Elazzaoui, que cresceu em uma família nômade Amazigh no sul de Marrocos, adotou uma postura de "tudo ou nada" para a decisão e soube administrar os riscos em meio à lama e às pedras molhadas. A vitória na etapa sul-coreana coroa um ano de alto nível para o corredor, que já havia levado os troféus da série em 2024 e 2025, tornando-se o primeiro homem africano a vencer a competição e agora acumulando três troféus principais na carreira.
Na categoria feminina, a romena Mädălina Florea também garantiu um lugar de destaque ao conquistar o seu segundo título consecutivo na série global. Mesmo cruzando a linha de chegada da etapa final na segunda colocação — atrás da islandesa Andrea Kolbeinsdóttir —, Florea somou pontos suficientes para assegurar o topo do ranking geral após uma temporada consistente com três vitórias em etapas.

Campeã olímpica e mundial da maratona, Peres Jepchirchir é flagrada por doping
O mundo da corrida de longa distância foi abalado por uma notícia de forte impacto nesta semana. A queniana Peres Jepchirchir, um dos maiores nomes da história da maratona moderna, foi suspensa provisoriamente pela Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) após testar positivo em um controle antidoping. A atleta de 33 anos, que acumula a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio e títulos nas principais provas do circuito mundial, caiu em malha fina em um exame realizado antes da disputa da Maratona de Sydney, realizada no final de agosto.
De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades esportivas, o teste detectou a presença de eritropoietina (EPO), uma substância proibida que estimula a produção de glóbulos vermelhos e melhora a resistência aeróbica. A suspensão tem caráter preventivo e afasta a corredora de forma imediata de competições oficiais enquanto o processo de investigação segue em andamento, com a possibilidade de defesa por parte da atleta e análise da amostra B.
A suspensão de uma figura do calibre de Jepchirchir reverbera fortemente no cenário global do esporte e acende novamente o sinal amarelo sobre o controle de substâncias ilícitas nas provas de fundo, especialmente no Quênia. Dono de um currículo impressionante que inclui vitórias em Majors como Nova York, Boston, Londres e Sydney, além de já ter ostentado o recorde mundial da meia maratona, o nome da queniana agora passa a figurar no centro de investigações que desafiam a integridade do atletismo de alto rendimento.

Corredora etíope é suspensa após tentar enganar investigadores com receita falsa
A Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) aplicou uma severa suspensão de seis anos à maratonista etíope Ruti Aga, campeã da Maratona de Tóquio em 2019 e três vezes vice-campeã de provas do circuito World Marathon Majors. A atleta de 32 anos testou positivo para metilprednisolona — um corticoide com propriedades anti-inflamatórias considerado estimulante proibido pela Agência Mundial Antidoping (WADA) — após vencer uma meia maratona na China em março.
A punição rigorosa é o resultado da soma de duas infrações: dois anos pela presença da substância e mais quatro anos adicionais por adulteração de evidências e tentativa de enganar os investigadores durante o processo disciplinar. Suspensa provisoriamente desde 10 de setembro, a fundista viu sua defesa ruir devido a uma estratégia rocambolesca adotada para justificar o teste positivo.
Para tentar explicar o uso da substância atrelado a um tratamento no joelho, Aga apresentou uma receita médica de uma clínica que simplesmente não existia. A investigação da AIU descobriu que o suposto "médico" responsável pela emissão do documento era, na verdade, um familiar da atleta sem nenhum registro profissional na área de saúde. Questionado pelas autoridades, o parente alegou ter usado um bloco de receituário antigo de um antigo local de trabalho, mas a instituição desmentiu a versão e confirmou que o indivíduo jamais trabalhou ali.

Atletas belgas dividem título no Mundial de Backyard Ultra
O Campeonato Mundial por Equipes de Backyard Ultra de 2026, disputado na cidade de Retie, na Bélgica, terminou com um desfecho emocionante e atípico. Enquanto a seleção dos Estados Unidos conquistou o título mundial por equipes ao acumular impressionantes 1.120 voltas no somatório de seus atletas, o cenário individual reservou uma cena histórica e inédita protagonizada pelos belgas Merijn Geerts e Ivo Steyaert. A dupla decidiu encerrar a participação simultaneamente após completarem a marca de 124 voltas cada um — o equivalente a mais de 516 milhas (cerca de 830 quilômetros).
O motivo pelo qual o título individual ficou dividido é a própria regra da modalidade criada por Gary "Lazarus Lake" Cantrell: no formato Backyard Ultra, um vencedor só é consagrado se um corredor completar uma volta a mais do que o seu último oponente restante, encerrando a prova sozinho. Como Geerts e Steyaert optaram por parar juntos na mesma contagem de voltas, a competição terminou sem um campeão individual formal, embora ambos tenham superado a marca recordista mundial anterior. Esta não foi a primeira vez que os atletas da Bélgica adotaram essa estratégia de união na reta final, repetindo gestos de companheirismo vistos em edições anteriores do circuito.
Apesar do esforço monumental da dupla belga — que elevou o total da Bélgica ao terceiro lugar geral no pódio, com 1,058 voltas —, a constância e a força coletiva da equipe dos Estados Unidos prevaleceram na classificação geral. Com um desempenho sólido liderado por Mark Dowdle (107 voltas) e Jon Noll (106 voltas), os americanos garantiram o topo da competição por países, seguidos pela Austrália na segunda colocação (1,069 voltas).

Mundial de Corrida em Esteira abre qualificatórias com premiação de US$ 100 mil
O cenário do esporte indoor ganha uma nova e inovadora dimensão com o início das qualificatórias para o Run X World Treadmill Championship, o primeiro campeonato mundial de esteira oficializado em parceria com a World Athletics e a fabricante Technogym. A competição reúne participantes em cerca de 400 academias parceiras espalhadas por 20 países, que disputam tempos certificados nos 5 km com o objetivo de garantir uma vaga na grande final mundial, marcada para março de 2027 na sede da Technogym, em Cesena, na Itália.
O torneio é gratuito para inscrição e estruturado em categorias por gênero, nacionalidade e faixas etárias, oferecendo uma premiação total de US$ 100 mil. Além dos prêmios em dinheiro, o evento traz um grande atrativo de peso oferecido pela World Athletics: as federações dos vencedores gerais (masculino e feminino) receberão um convite especial (wild card) para a disputa dos 5 km no Campeonato Mundial de Corrida de Rua, em Yangzhou, na China. As etapas eliminatórias seguem abertas até janeiro de 2027, passando por rodadas continentais antes de definir os finalistas globais.
No cenário nacional, até o momento, nenhuma academia ou centro de treinamento no Brasil se cadastrou oficialmente como local de disputa para receber as etapas qualificatórias do evento. No entanto, com o calendário de classificatórias e as janelas de inscrições ativas por vários meses, ainda há expectativa e tempo hábil para que estabelecimentos brasileiros integrem a plataforma global e permitam a participação de corredores do país na competição.

On Cloudrunner 3 Max: máximo amortecimento e estabilidade para iniciantes
A On expandiu sua linha focada em suporte e conforto com o lançamento do Cloudrunner 3 Max, um modelo projetado para corredores que buscam proteção máxima em treinos diários e longas distâncias. O grande diferencial do calçado está em sua arquitetura robusta, que aposta em uma configuração de entressola com dupla camada de espumas para elevar a absorção de impacto e a estabilidade nas passadas, características que podem atender bem corredores iniciantes.
Para garantir essa maciez e suporte estruturado, o tênis combina uma camada superior com a hiperespuma Helion™ HF — focada em conforto e responsividade — com uma camada inferior de espuma Helion™ tradicional. Além disso, o modelo conta com uma base bastante larga e abas laterais elevadas que abraçam o pé, minimizando movimentos laterais indesejados. Toda essa construção encorpada, voltada para assegurar máxima estabilidade e durabilidade, reflete diretamente no peso do calçado: o Cloudrunner 3 Max marca 330g na balança para o tamanho 40 masculino.
O novo modelo já está disponível no mercado brasileiro através do site oficial e das principais lojas parceiras da marca, com preço sugerido de R$ 1.399,00.

Brooks e runDisney se unem em coleção exclusiva inspirada em personagens clássicos
A marca de calçados esportivos Brooks firmou uma parceria oficial com a runDisney para lançar uma coleção temática de tênis de corrida inspirada em personagens icônicos do universo Disney. Desenvolvidos para unir alto desempenho nas pistas e nostalgia, os modelos trazem designs exclusivos dedicados ao Zangado, Mary Poppins, Pateta e Minnie Mouse.
A linha transforma a estética técnica dos calçados de corrida em peças colecionáveis repletas de elementos visuais marcantes. Os corredores e entusiastas encontrarão detalhes cuidadosamente incorporados à estrutura dos tênis, como os tradicionais laços e bolinhas da Minnie Mouse, as orelhas características do Pateta, além de paletas de cores e grafismos que remetem à babá mágica Mary Poppins e ao clássico anão Zangado.
Por se tratar de uma edição limitada, os calçados não serão comercializados no mercado brasileiro e nem nas lojas tradicionais da marca. As vendas serão realizadas exclusivamente de forma presencial durante a expo de dois grandes eventos do circuito: a Wine & Dine Half Marathon e a 2027 Walt Disney World Marathon Weekend. Entre as opções disponíveis, o modelo Ghost 18 Minnie Mouse, por exemplo, terá o valor sugerido de US$ 170.

Texto: Eric Akita Imagens: @floreamadalina7 / @elhousine_elazzaoui / @peresjepchirchirngeno / @organisers / @bigdogbackyardultra / @runxrace / On / Brooks



