Notícias da semana: recordes na Western States, prova cancelada por calor extremo, queniano banido por doping e novidades do mercado
- 1 de jul.
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Recordes pulverizados em uma histórica Western States 100
A Western States 100 de 2026 entrou para a história como a edição mais veloz de todos os tempos. Beneficiados por um clima ameno em Olympic Valley, na Califórnia, os atletas impuseram um ritmo avassalador desde o início, quebrando os recordes das categorias masculina e feminina. No entanto, a intensidade da prova cobrou um preço alto, resultando no abandono de grandes favoritos que não resistiram ao ritmo forte e ao desgaste físico nas trilhas.
Na prova masculina, o francês Vincent Bouillard, campeão do UTMB 2024, garantiu a vitória de forma espetacular. Ele assumiu a liderança após a milha 85 e cruzou a linha em 13h46min, pulverizando o antigo recorde de Jim Walmsley (14h09min). O italiano Francesco Puppi foi o segundo (13h51min) e o americano Ryan Montgomery terminou em terceiro (13h53min). Em uma demonstração inédita de nível técnico, os quatro primeiros colocados correram abaixo da antiga marca histórica da prova, enquanto favoritos como Walmsley, Kilian Jornet e Hans Troyer abandonaram.
Entre as mulheres, a estreante na distância Jenn Lichter e a corredora Riley Brady protagonizaram um duelo eletrizante. Lichter assumiu a ponta na milha 48 e resistiu à pressão de Brady para vencer com o tempo de 15h28min05s, estabelecendo o novo recorde feminino ao superar a marca de Courtney Dauwalter por pouco mais de um minuto. Brady garantiu o segundo lugar em 15h42min (terceiro melhor tempo da história da prova), seguida por Helen Hogan, que completou o pódio em 15h51min. Abby Hall, campeã em 2024 e 2025, teve de abandonar a prova.

Calor extremo força o cancelamento da Meia Maratona de Hamburgo
Uma onda de calor sem precedentes acendeu o sinal de alerta na Alemanha e forçou uma decisão histórica no último final de semana: o adiamento da tradicional Meia Maratona de Hamburgo (Hella Hamburg Halbmarathon). Com os termômetros registrando marcas escaldantes de até 41°C em algumas regiões do país, os organizadores optaram por cancelar a prova que reuniria cerca de 24 mil corredores. A justificativa foi direta: o risco imenso à saúde dos atletas e a necessidade de evitar o colapso dos serviços de emergência e resgate públicos, incapazes de suportar a demanda gerada pelo estresse térmico extremo.
O impacto do clima severo, no entanto, não ficou restrito àsfalto de Hamburgo. O calor sufocante e os alertas meteorológicos provocaram o cancelamento e a alteração de diversos outros eventos esportivos ao ar livre e festivais pela Europa — incluindo o festival Solidays na França e o Defqon.1 na Holanda, enquanto a etapa de atletismo da Diamond League em Paris precisou modificar seus horários às pressas. Até mesmo o transporte ferroviário alemão sofreu fortes restrições pelo risco de incêndios florestais e superaquecimento dos trilhos, redesenhando a rotina de um continente sob forte estresse climático.

On estreia entressola CloudTec Sphere em novos modelos de elite
A On formalizou o lançamento de seus novos calçados para competições de longa distância: o Cloudboom Strike 2 e o LightSpray Cloudboom Strike 2. Os dois lançamentos marcam a estreia global da entressola com a geometria CloudTec Sphere, posicionando-se como os modelos topo de linha da marca voltados especificamente para o uso no dia da prova.
O sistema de amortecimento introduzido utiliza duas camadas da espuma Helion™ HF, configurada para atuar em conjunto com uma placa de fibra de carbono curva (Speedboard) para a propulsão e o retorno de energia. Na versão LightSpray, o cabedal é construído de forma automatizada por um braço robótico que pulveriza o filamento termoplástico em passo único, eliminando costuras e o desperdício de matéria-prima.
Os calçados chegam ao mercado global no dia 30 de julho de 2026, direcionados ao comércio eletrônico e a lojas especializadas em corrida de rua. No mercado brasileiro, a versão LightSpray Cloudboom Strike 2 já teve a sua pré-venda iniciada pelo valor de R$ 2.699,00.

Marathon du Mont-Blanc: Tove Alexandersson e Rémi Bonnet brilham em Chamonix
Chamonix, na França, voltou a ser o epicentro da corrida de montanha mundial no último final de semana com a realização do icônico Marathon du Mont-Blanc. Consolidado como um dos festivais mais importantes da modalidade, o evento atrai milhares de atletas divididos em percursos desafiadores que vão desde os rápidos 23k até o brutal e técnico trajeto de 90k. No entanto, os holofotes principais e a maior densidade de atletas de elite se concentraram na icônica maratona de 42k, prova que distribuiu uma premiação agressiva de 57.200 euros, pagando até o décimo colocado e reservando 10.000 euros para os grandes campeões do dia.
No pelotão masculino, o suíço Rémi Bonnet deu uma verdadeira aula de resiliência e maturidade tática. Após sofrer com uma queda de rendimento na reta final da Maratona de Zegama, Bonnet deu a volta por cima nos Alpes franceses ao cruzar a linha de chegada em 3h33min14s, faturando o bicampeonato da prova (ele também venceu em 2023 com 3h35min). O suíço assumiu a liderança na metade do percurso, ultrapassando o francês Frédéric Tranchand — que vinha em um momento iluminado, mas teve de se contentar com a segunda colocação em 3h35min46s. O espanhol Manuel Merillas garantiu o terceiro lugar em 3h41min43s após uma forte corrida de recuperação.
Entre as mulheres, o público testemunhou uma exibição de gala da sueca Tove Alexandersson. Apontada atualmente como a melhor atleta de trail do mundo, Alexandersson correu sem tomar conhecimento das adversárias. Ela liderou a prova de ponta a ponta com uma passada avassaladora, correndo quase um minuto por milha mais rápido do que qualquer outra competidora. A sueca garantiu o topo do pódio com o tempo extraordinário de 3h55min07s. A norueguesa Ida Amelie Robsahm ficou com a segunda colocação, cruzando a linha com 4h16min34s, seguida pela britânica Naomi Lang, que fechou o pódio feminino em 4h21min23s.

Ex-recordista mundial da meia maratona é banido por doping
O atletismo mundial sofreu um duro golpe com o anúncio do banimento por sete anos do queniano Kibiwott Kandie, de 30 anos, uma das maiores estrelas das corridas de rua da última década. A decisão foi oficializada pela Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) após o atleta admitir duas violações graves das regras antidoping: a recusa em se submeter à coleta de amostras e a adulteração do processo de controle de dopagem. Suspenso provisoriamente desde março de 2025, Kandie enfrentava uma pena máxima de oito anos, mas recebeu a redução de um ano por aceitar prontamente a sanção. Todos os seus resultados obtidos no período da investigação foram anulados.
Para o público brasileiro, o nome de Kibiwott Kandie evoca memórias de uma das maiores exibições da história do atletismo nacional. Em 2019, o queniano venceu a tradicional Corrida Internacional de São Silvestre, em São Paulo, de forma épica, ultrapassando o favorito Jacob Kiplimo nos metros finais na Avenida Paulista e estabelecendo o recorde histórico do percurso (42min59s). Internacionalmente, Kandie atingiu o ápice em 2020 ao quebrar o recorde mundial da meia maratona em Valência com a marca de 57min32s — cidade onde também se sagrou tricampeão. Ele ainda permanece como o terceiro homem mais rápido da história na distância.
O caso de Kandie, no entanto, transcende a tragédia individual de sua carreira e joga luz sobre uma crise sistêmica que assola o país africano. A reincidência e o volume de casos positivos envolvendo atletas do Quênia nos últimos anos escalaram o problema a níveis institucionais, reavivando um debate drástico nos bastidores da World Athletics: a possibilidade de uma punição coletiva severa ao país, nos moldes do banimento total aplicado à Federação Russa de Atletismo no passado. Embora o governo queniano tenha prometido investimentos milionários em sua agência nacional antidoping (ADAK), a queda de um atleta do primeiro escalão como Kandie aumenta a pressão global por sanções exemplares contra a potência das corridas de fundo.

Kiprun lança Kipsummit Race com placa de carbono para corrida de trilha
A Kiprun oficializou a introdução do Kipsummit Race, o primeiro modelo da marca voltado para corrida de trilha a incorporar uma placa de carbono patenteada. O calçado foi desenvolvido para competições de longa distância em terrenos montanhosos, cobrindo percursos de 40 a 170 quilômetros. Segundo as especificações da fabricante, o produto foi projetado para atuar em todas as condições de terreno.
A engenharia do modelo combina a placa de carbono com a entressola em espuma SCF (Fastech+), configuração direcionada ao retorno de energia e à estabilidade em superfícies irregulares. O solado utiliza a tecnologia Vibram® Megagrip Litebase com travas de 4 milímetros para tração em superfícies secas ou úmidas. O cabedal apresenta construção em formato de meia para evitar a entrada de detritos e conta com um sistema elástico integrado na língua para fixação dos cadarços. O preço de lançamento no mercado europeu foi fixado em £169,99, e o produto ainda não está disponível para comercialização no mercado brasileiro.

Texto: Eric Akita
Imagens: @wser / @dielaufgesellschaft / On / @marathondumontblanc / @kandiekibiwott / @kiprun



