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O que a SP City Marathon me ensinou sobre recomeçar (por Thalita Lima)

  • há 7 dias
  • 4 min de leitura

Apesar de amar essa prova, minha primeira maratona não foi aqui, porque eu sempre ouvi que ela é uma maratona difícil. Que, depois dos sobes e desces do primeiro trecho e dos emocionantes 21 km, ela se torna uma prova de força mental. E hoje, após completá-la, posso dizer que tudo o que ouvi é muito verdade!


O dia começou às 3h15. Em dia de prova, gosto de acordar com tempo: colocar um louvor para tocar, passar um café e me arrumar com calma. Saímos de casa por volta das 4h40: eu, a Michele (conhecida como “Picolé”, minha amigona-irmã e parceira de todas as provas) e mais duas amigas que nos acompanhariam nos primeiros 21 km. Só esse início já me lembra uma das coisas mais bonitas da corrida: raramente corremos sozinhos (e isso não é só sobre corridas).



A primeira metade e a emoção no Jockey


Chegamos. A largada foi dada e seguimos rumo aos 42 km. Lembrei de uma frase de um maratonista que dizia: “a maratona é uma prova de 42 km que dura 10 km” — e entendi isso de verdade aqui, concluindo a maratona da SP City.


Os primeiros 21 km passaram voando, com a energia alta e o clima contagiante da SP City. No Jockey, vivi uma emoção pela primeira vez: encontrei minha mãe, minha tia e meu tio Nei esperando e torcendo por mim, lá no meio daquela galera toda. Corro desde 2016 e nunca tinha experimentado essa sensação. Ali veio mais uma lição que gostaria de dividir: leve para a prova, e para a vida, pessoas que fortaleçam sua fé, sua coragem e sua alegria.


O desafio mental na reta final


Seguimos para a segunda metade da maratona: USP, Pan-Americana, Villa-Lobos. Até que, próximo ao km 32, minha amiga percebeu que precisava diminuir o ritmo e decidimos seguir separadas. Foi um momento difícil, porque, além do cansaço, apareceu a preocupação com quem sempre treinou ao meu lado.


Do km 32 ao 39 (assim como na minha primeira maratona), aconteceu, para mim, o trecho mais desafiador. Comecei a perceber que o desafio não era mais só físico e acredito, até, que começou a se tornar muito maior mentalmente falando. Eu via muita gente diminuindo o ritmo e começando a caminhar, e a pergunta que começou a martelar na minha mente foi: “será que eu também devo parar?”.


Para continuar correndo, comecei a conversar comigo mesma. Transformava a distância que faltava em treinos conhecidos: “8 km é o percurso da minha casa até o Ibirapuera mais uma volta no parque; isso eu sei fazer”. Essa foi a estratégia que já ouvi algumas vezes, que usei para me manter em movimento e que talvez possa ajudar outros também.



A pausa necessária antes da linha de chegada


Perto do km 39 me dei conta de que não estava mais sabendo lidar com o mental e decidi parar alguns minutos. Peguei água, respirei, fui ao banheiro e me reorganizei. Aquela pausa de 3 a 4 minutos mudou completamente a prova para mim. Voltei lembrando da minha família na chegada, orei pedindo forças para terminar e para que minha amiga também chegasse bem. E aqui fica outra dica: às vezes insistimos em seguir no automático, mas pequenas pausas podem devolver clareza, energia e direção.


Quando entrei no trecho final da Av. Lineu, ouvi pessoas gritando meu nome (lido no número de peito), incentivando e lembrando que faltava pouco. Vi minha família novamente, cruzei a linha de chegada e, logo depois, vi minha amiga chegando também. Aquele momento, muito emocionante, resumiu o que a maratona me ensinou: força não é apenas continuar sem parar. Força é aceitar ajuda, é ajustar o ritmo, é respirar fundo, é recomeçar.


Este relato fala da minha experiência na SP City, mas espero que ele possa chegar até você como a leitura de algo muito maior.



Dicas para encarar a SP City


E se você pretende fazer a SP City Marathon, a minha dica é que acrescente muitas subidas aos seus percursos de treino. Eu treinei bastante o meu ciclo na USP e, para mim, foi ótimo, porque você tem várias opções de trajetos e consegue fazer longas distâncias com bastante variação e, principalmente, muitas subidas.


A outra dica é para o dia da prova: segure a onda no primeiro trecho. É muito difícil não entrar no ritmo da maioria, principalmente porque muita gente está fazendo apenas os 21 km. Então, no começo, você vai perceber que o ritmo está forte e que todo mundo parece estar voando. Mas é preciso se segurar e lembrar que você ainda tem mais 21 km pela frente.


E, para melhorar os treinos de longa distância, eu cuidei muito da hidratação. Como não tenho assessoria durante o treino, para fazer os longões na USP eu sempre levo comigo uma garrafinha com isotônico e outra com água. Também deixo no carro água de coco, whey e tudo o que preciso para me hidratar e me recuperar logo depois de terminar o treinão. Parece detalhe, mas faz muita diferença quando você começa a acumular muitos quilômetros.


Thalita Lima

Corredora de rua e gerente de marketing



Imagens: Arquivo pessoal.

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