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Do asfalto ao barro: Como a corrida de trilha me trouxe o equilíbrio que eu buscava (por Rodrigo Bonissato)

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

A transição do asfalto para o barro nos pés e o cheiro de mato me trouxe algo que eu já buscava há algum tempo: equilíbrio sem pressão. Em um mundo tão caótico como o que estamos vivendo, precisamos encontrar algo que nos desacelere, e a montanha veio para me mostrar que existe, sim, uma forma de tirar o pé do acelerador.


No finzinho de junho, corri a minha segunda prova de trilha: a WTR Agulhas Negras. Vale um ponto importante: a prova leva esse nome por conta da distância ultra, já que as demais categorias não chegam de fato até as Agulhas Negras; posso estar errado, mas acho que nem entra no Parque Nacional de Itatiaia.



Mas, tirando esse detalhe, a experiência foi super bacana. Diferente da minha estreia na Indomit, esta foi uma prova mais "rolada", onde consegui desenvolver bem a corrida em vários trechos. O percurso saiu do centro de Visconde de Mauá, percorreu alguns quilômetros no asfalto e depois nos levou por rios, mata fechada, mata aberta, além de algumas boas subidas e descidas. Um dos pontos que mais gostei foi que boa parte do trajeto tinha o barulho da água dos rios, aquela paz exata que a gente busca nas trilhas.


Por ser a primeira edição da WTR na região, a prova contou com cerca de 1.000 atletas distribuídos em todas as distâncias (lembro de ver este número no briefing da prova). Graças a isso, a retirada de kit na sexta-feira foi super tranquila. No dia da prova, a organização foi impecável: os corredores foram divididos em currais de largada determinados por um questionário enviado previamente, o que evitou qualquer problema no fluxo, mas também foi uma prova com um número bem reduzido de atletas, tornando a prova ainda mais tranquila.



Eu escolhi ficar na Pousada Tijupá e a experiência foi excelente, chegamos na quinta para curtir um pouco e descansar. Ela fica a menos de 10 minutos da arena da prova e oferece um serviço incrível. Recomendo muito para quem, além de correr, busca descansar e comer bem; a gastronomia e o atendimento deles são nota 10/10. Para melhorar, a pousada ainda conta com uma piscina natural perfeita para um bom recovery pós-prova, além de sauna.


Em termos de localização, estávamos também a 10 minutos de Maringá (na divisa entre RJ e MG), um centrinho comercial charmoso, cheio de lojinhas e restaurantes que parece uma verdadeira cena de filme. Para quem gosta de cachoeiras, é o passeio perfeito, pois a região tem inúmeras opções.


E se eu pudesse listar um top 3 de lugares para comer por lá, seria: 1) O restaurante da própria Pousada Tijupá; 2) Restaurante Rosmarinus; e 3) Armazém de Mauá.



Para muitos, o trail é coisa de doido. Eu escuto frequentemente dos meus amigos perguntas como: "Você é maluco de entrar no mato para correr?", "Você não tem medo?" ou "Para que subir nessas pedras?". Por outro lado, o meu marido sempre me apoia: "Eu te admiro muito. Você é muito determinado quando quer algo, queria ter um pouco da sua coragem".


Gosto muito de pensar nas pessoas que conheço enquanto estou treinando ou correndo uma prova. No fundo, acabo sendo uma inspiração de alguma forma para elas. Longe de mim querer ser um influenciador, mas gosto de compartilhar minha rotina, minhas ideias e aventuras. Se eu conseguir atingir uma única pessoa de forma positiva, já terá valido a pena.


O treino nas montanhas já tem refletido no meu desempenho geral. Sinto que ganhei mais resistência para correr na rua, o que é excelente, até porque vivo sofrendo com cãibras. Acredito que essa força extra vai me ajudar muito a completar minha quinta maratona em setembro, em Berlim.


Eu ainda pretendo correr outras maratonas pelo mundo e, quem sabe, completar a famosa mandala das Six Majors. Porém, o trail entrou na minha vida há menos de um ano e tem me feito um bem enorme. Por isso, o meu plano é que o foco seja total em me divertir pelas montanhas. Se aparecer alguma maratona no calendário, ela virará o treino de luxo para alguma prova de trail ou simplesmente vou lá correr com os meus amigos do asfalto.


Tenho certeza de que o mundo das trilhas ainda vai me colocar diante de muitos desafios e viagens incríveis, e eu estou extremamente animado para esse futuro. Afinal, quem é que não gosta de uma desculpinha para fazer as malas e viajar? Já comecei a montar meu calendário de 2027, será que tô muito adiantado? Até porque já tem a data do próximo Corre Junto Sol a Sol e eu não quero perder por nada.


Rodrigo Bonissato

Sócio-diretor de agência de marketing e corredor de rua e de trilha

@bonissato


Imagens: Arquivo pessoal.

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