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A minha prova: Ultra Fitz Roy (60k), por Susany Perardt

  • Foto do escritor: Eric Akita
    Eric Akita
  • 8 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

A Ultra Fitz Roy, na Patagônia argentina, não foi uma escolha minha. Na verdade, foi a prova que me escolheu. No início deste ano, a organização da prova entrou em contato comigo e me convidou para participar dela. E como uma das embaixadoras do evento! Em sua segunda edição, neste ano ela já se consolidou, basicamente, no cenário do trail internacional e teve um alcance muito maior de público. Eu conheci a Patagônia em março, quando eu fui correr a UTMB Ushuaia, e, por coincidência, fui passar alguns dias em El Calafate e El Chaltén. E pude conhecer o lugar antes de correr os 60k da Ultra Fitz Roy. Fiz algumas trilhas lá e fiquei encantada com aquele lugar maravilhoso e empolgada em correr lá na Patagônia, que sempre foi um sonho meu.



No embalo do Mundial de Trail


A minha preparação para a Ultra Fitz Roy, que viria a ser realizada nos dias 16 e 17 de outubro, aconteceu paralelamente à preparação para o Campeonato Mundial de Trail, em setembro na França, no qual participei da prova Long Trail (82k). Eu já vinha mantendo um bom volume e já vinha treinando forte, então basicamente foi descansar depois do Mundial e manter um pouco de treinos, com uma semana de intensidade e depois uma de mais descanso. 


Atenção extra com o clima congelante


Cheguei lá em El Chaltén três dias antes da prova e o clima estava bem instável. Um dia antes da largada, chovia e até chegou a nevar, o que me deixou um pouco apreensiva. O vento na Patagônia é bem diferente do que temos no Brasil mesmo no inverno. É um vento congelante mesmo! A minha prova, a de 60k, teve largada bem cedo no sábado, às 5h00, quando ainda estava escuro. Partimos de lanterna ligada na cabeça. E não chovia mais, porém a temperatura estava bem gelada, menos de 5 graus. 


Antes da largada, tentei ficar em movimento para me aquecer. E os equipamentos que levei foram fundamentais para fazer essa prova. Uma dica que eu já dou para quem quer correr a Ultra Fitz Roy é levar os equipamentos corretos e vestuário adequado para o clima de inverno da Patagônia. Larguei de gorro, luvas térmicas e segunda pele, e também levei corta vento e anorak na minha mochila. O tempo lá na Patagônia muda muito rápido, ainda mais na montanha. Quando largamos, não estava mais chovendo e quando entramos na montanha começou a esquentar. Mas à medida que a gente foi subindo, o tempo começou a fechar e, de repente, começou a nevar. Peguei muita neve durante o percurso. Outro equipamento que eu levei foi um óculos fotocromático, daqueles que escurecem de acordo com a intensidade da luz solar. E foi importante para proteger meus olhos nos trechos com muita neve, que refletia bem a luz solar. A luva térmica e todos os equipamentos térmicos que a Columbia, minha patrocinadora, me forneceu foram fundamentais para que me mantivesse bem na prova. Além da neve, o clima ficou bem nublado até o final da prova, quando estava terminando, por volta do meio-dia, o tempo abriu e deu sol. Cruzei a linha de chegada em 6h07m45s e na primeira colocação entre as mulheres nos 60k, 42 minutos à frente da segunda colocada, a argentina Mariela Vigliocco. Foi a minha primeira vitória em prova internacional!



Fazendo um balanço final, a minha prova foi bem consistente. Consegui correr muito bem. Tive que tomar um certo cuidado por causa do terreno. Como nevou muito, o chão em alguns locais estava liso. Tive que ter cautela principalmente em algumas descidas dentro do Parque porque achei um pouco perigoso escorregar. O clima limitou um pouquinho até pelo fato de eu não estar acostumada a correr na neve. No mais, gostei muito da prova e consegui fazer um grande resultado assim. Não imaginava fazer esse tempo e fiquei bem feliz com o resultado porque estava disputando com duas atletas lá da casa, da Argentina, atletas fortes. Foram 60 quilômetros em um dos lugares mais lindos que eu já fui. No início da prova, o clima não permitiu uma boa visibilidade do cenário, mas no final, quando abriu o sol, pude ver o quão lindo era o percurso e pude admirar o Monte Fitz Roy por vários ângulos.


Uma prova impecável


A organização da prova me surpreendeu! Super bem marcado o percurso. Muitos staffs nos pontos de apoio e bastante opções de comida. Além de água, isotônico, frutas, doces e salgados. Foi bem bacana essa parte da alimentação e hidratação. Os staffs super prestativos! Eles enchiam as garrafinhas de hidratação pra gente quando chegávamos nos pontos de apoio. 


E sem contar que é uma prova bem do estilo que eu gosto. As trilhas lá dentro do Parque Nacional dos Glaciares, onde a gente passa pelo Fitz Roy, são bem corríveis. Do jeito que eu gosto! Também teve um pedaço de estradão. No geral, é uma prova bem corrível. Para quem gosta de correr e apreciar uma paisagem maravilhosa, eu super indico essa prova.



Dicas para quem quer conhecer a Patagônia


Uma dica para quem vai fazer essa prova: reservar pelo menos um dia para todo o deslocamento até El Chaltén. Geralmente, você chega em Buenos Aires, capital da Argentina, e pega um voo para El Calafate. Daí, de lá você tem que pegar um transporte para El Chálten, o que leva mais três a quatro horas. Eu fui de ônibus e foi uma viagem super tranquila, mas tem outras opções de transfer ou alugar carro também. El Chaltén é um vilarejo muito acolhedor e que tem opções de hostel mais em conta e também hotéis maravilhosos. Eu fiquei no hotel Los Cerros, que eu super indico. Tive um atendimento fantástico! Eles se programaram conforme as nossas necessidades de horário de largada e anteciparam o café da manhã. Deixaram mensagens no quarto de boa sorte e depois até me presentearam com um kit quando eu voltei da premiação por ter sido campeã . Foi uma experiência incrível e podendo admirar do hotel uma vista maravilhosa!


Susany Perardt

(ultramaratonista, atleta da Columbia e administradora)

@susanyperardt







Imagens: Arquivo pessoal / @ultrafitzroy / @inforunning.arg / @revistatrailrunningbr






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