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Desafios, lama e superação: Como foi minha WTR Rota Vulcânica (por Michelle Teixeira)

há 1 dia
3 min de leitura

Fala, galera do Corre Junto! Passando aqui para contar um pouquinho de como foi a minha experiência lá na estreante WTR Rota Vulcânica, em Poços de Caldas (MG). 


Olha, confesso a vocês que eu estava ansiosa e com um pouco de medo, principalmente depois que eu assisti ao briefing da prova. Os organizadores disseram que as chuvas na região estavam intensas e muitos pontos de lama tinham sido formados. A previsão era de mais chuva, inclusive no dia da prova. Foi alertada a importância dos equipamentos obrigatórios, principalmente manta térmica e corta-vento. E então, chegou o dia de pegar a estrada.


Fomos na sexta-feira para chegar com tranquilidade, retirar o kit, jantar e dormir cedo. Uma rotina que muitos certamente adotam pré-prova. A chuva, até então, tinha dado uma trégua, chegamos na cidade e o dia estava lindo! E isso até que me deu certa tranquilidade (só não sabia que ia durar pouco)… Fui com a minha família e ficamos hospedados no Hotel Íbis, parceiro da prova. O hotel estava praticamente ocupado por atletas, então, a logística de café da manhã foi pensada de acordo com o horário das largadas de cada percurso. 


Segui com a minha programação, retirada de kit, jantar de massa, última conferida em tudo que iria usar na prova e cama! E já à noite, a chuva voltou a cair… e a preocupação voltou, mas consegui dormir. Ao descer para o café, me deparei com todos os atletas que largariam no mesmo horário, e de repente, nos assustamos: começou a cair uma tempestade! Nos olhamos e tivemos o mesmo pensamento: é, vamos encarar a lama!



A subida para a largada e a largada debaixo de chuva A largada sairia de cima, lá no Cristo, portanto, muita descida escorregadia pela frente. A essa altura, apenas garoava, o que já era um alívio. Chegamos ao local da largada, estava frio e quase impossível de ver a cidade lá de cima. Estava tudo encoberto. Fiz a última conferência e esqueci de um detalhe: estava sem a manta térmica. A organização não estava permitindo largar sem ela, mas fez a distribuição para quem não a portava. Respirei aliviada e pude largar!



O percurso: de descidas escorregadias a muita lama


Já adianto que foi uma prova onde “provei” tudo quanto é terreno! Logo na largada, havia praticamente uns 4 ou 5 quilômetros de descida. Era até um trecho bastante corrível, porém, escorregadio. Terminando a imensa descida, já começava uma subida que não tinha fim. 


Pegamos mata fechada, pedra que foi preciso “escalar”, um “paredão” que para subir, foi preciso auxílio de corda. Para mim, aquilo foi algo novo, porque eu nunca tinha pegado uma prova onde eu tivesse que contar com o auxílio de corda coberta de lama! Eu tentava firmar a mão, e voltava para trás, fiquei até com umas fissuras, mas consegui subir! Respirei aliviada e com o pensamento de que o pior já havia passado. Essa sensação e pensamento foram destruídos em questão de segundos. 


Veio mais lama, pé atolado e quase perdi o tênis. Tive até que contar com a ajuda de um cajado, e com ele cruzei a linha de chegada. Foram quase 4 horas de prova. Longas horas de tensão, frio e cansaço. E este tempo de conexão com a natureza, de superação de desafios e de conversa comigo mesma virou uma chave na minha cabeça e no meu coração: ao cruzar a linha de chegada eu me convenci de que é isso que eu quero da minha vida, e que da trilha, não dá para sair mais!



Segurança e recomendação Como disse, corremos sob chuva, frio e muita lama, cenários propícios para acidentes e lesões. No entanto, senti que a organização cuidou de cada detalhe. Forneceu manta térmica para quem não tinha, estafes nos pontos de maior probabilidade de queda, socorristas nos trechos mais críticos. Isso foi me dando tranquilidade e confiança ao longo da prova. Eu não presenciei nenhum trecho de aglomeração, nem mesmo nos de single track, deu até para desenvolver uma boa velocidade, quando possível.


É isso, a prova já está confirmada para o ano que vem, e essa eu recomendo, vale cada quilômetro (mesmo com lama)! É uma prova que subimos muito e que vale a vista lá de cima. É panorâmica e lindaaa! Ah, montanha, né, gente? Depois que a gente começa a fazer, a gente se apaixona. Por mais perrengue que passemos, sempre queremos saber qual vai ser a próxima.


Valeu, Corre Junto!


Michelle Teixeira

Advogada que se apaixonou pelas trilhas. @corremichelleee



Imagens: Arquivo pessoal.

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