Paraty Brazil by UTMB: Um banho de lama para lavar a alma e superar o passado (por Raphael Floresta)
Um banho de lama para lavar a alma, foi assim que vi a Paraty Brazil by UTMB 2026.
Ano passado, o corte no PC 7 Quedas, depois de ter passado muito mal e ter lutado muito para conseguir chegar, trouxe uma frustração enorme quando fui cortado por 4 minutos... Depois de 16 horas de luta e 47 km percorridos, veio o DNF. Mas aquilo me deixou com aquele gostinho de: eu consigo sim, se eu treinar mais... eu consigo!
Mais um ano se preparando, mais um ano de foco, determinação e constância. Um ano inteiro que foi vivido em 15 horas e oito minutos durante todo o percurso da Paraty by UTMB.

A preparação e a força da parceria
Neste ano preparatório para Paraty, o palco dos nossos treinos, sofrimentos e perrengues foi a Pedra Grande, em Atibaia. Foram muitos finais de semana comigo, Wagner, Ana e Carlinhos subindo incontáveis vezes pela estrada e pela trilha Minha Deusa. Praticamente vimos a pavimentação completa da estrada turística de Atibaia até a Pedra Grande, kkkk. Foi um paralelo à nossa maturação nos treinos.
Depois de quase um ano de treino, em agosto, às vésperas da UTMB, o Wagner teve uma lesão e não poderia mais fazer os 58 km da prova. Foi aí que a Ana me confidenciou que o plano dele seria me acompanhar do início ao fim e me ajudar a concluir esse objetivo.
Isso me deu muito mais força e ânimo para ir com foco total em honrar cada treino, cada fim de semana que Wagner e Ana deixaram de estar com a família para estarem treinando comigo, na chuva ou no sol, em Atibaia ou no Pico do Jaraguá. Essa prova foi por eles também!

A mente forte diante da lama e do calor
O calor, a umidade e a Descida do Ouro de 2025 me preocupavam. Mas a protagonista esse ano foi a lama. E quanta lama!
Foi difícil, mas dessa vez em nenhum momento me questionei "e se não der?" ou "será que vai dar ruim de novo?". A todo momento que minha cabeça queria fazer essas perguntas, eu a silenciava com: olha como estamos melhor este ano.
E quando a mesma mente já ansiava pela chegada, imaginava minha família me esperando, o abraço da minha esposa, a medalha no pescoço. Eu só pensava: "se preocupa com a emoção de agora, a próxima a gente vê depois..."

Gratidão, aprendizado e a força do coletivo
E, ao olhar para trás, vi que tudo valeu a pena. O que vivi lá atrás me ajudou a seguir em frente. Sem cobrança, sem julgamentos, apenas grato por todo aprendizado. Foi suado, foi difícil, mas foi na vontade, muita vontade. Não de me provar para ninguém, mas de merecer toda a dedicação que tive comigo mesmo e o comprometimento em evoluir.
Independente de lama, abafado ou calor, a hidratação é ponto-chave no meu ponto de vista. A umidade durante a prova foi de 92% e, mesmo em momentos de frio, o suor escorreu bastante.
Ficamos hospedados na praia do Jabaquara, em um Airbnb a 1 km do Centro Histórico. No almoço de sexta-feira pré-prova, o rango foi no Sabor da Terra, um dos restaurantes parceiros do evento e, pelo segundo ano, meu almoço pré-prova. Na janta, optamos por uma comida em casa mesmo.
Essa equipe, que é fruto de uma experiência incrível com o Corre Junto, vem rendendo uma parceria muito forte e uma amizade muito bonita. Como o próprio Corre Junto diz: todo passo é coletivo.
Raphael Floresta
Designer e corredor de trilha
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Imagens: Arquivo pessoal.



