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Por que os rituais são essenciais na corrida? (por Cláudio Arruda)

  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

A tribo Tarahumara (no México) é conhecida por ter bons corredores que usam, sob seus pés, uma sandália de couro. Seus antepassados já corriam descalços, mas a sandália de couro veio para diminuir desgastes nos pés e, assim, irem mais longe, visto que eles não correm só para competir, mas principalmente para deslocamento e lazer. É uma espécie de preservação do ritual de seus ancestrais.


Os momentos ‘liminares’ fazem parte do que aqui chamamos de ritual. Repetir o mesmo padrão de alimentação sempre que for correr (ou realizar algum outro exercício), amarrar um cadarço sempre da mesma forma (com o propósito de não soltar ou de simplesmente não ficar frouxo), prender os cabelos de forma segura (sempre da mesma forma), usar as meias que “dão sorte” na corrida mais longa, deixar as roupas prontas na noite anterior à corrida, organizar ‘tintim por tintim’ sem perder o controle... Não se engane: não são apenas situações comuns a diversos corredores, são os rituais que cada um vivencia com um propósito esperado: que tudo dê certo! Se você se identificou com alguns desses passos anteriores, você também tem rituais em sua rotina de corredor.



A repetição cíclica, criando rotinas que organizam, com frequência, determinados acontecimentos, é o que reconhecemos como ritual. Quando o atleta (seja ele profissional ou recreativo) repete certos gestos em seu cotidiano — corporais ou de outra natureza —, o conceito de ritual se faz presente nestes momentos! Entre diversos autores que já escreveram sobre rituais, Roberto Cachán Cruz é um autor que estuda o esporte de longa duração de forma mais ampliada, pois ele “compreende o aspecto humano do desporto que, devido ao seu envolvimento corporal, ritual e espiritual, convoca a desempenhar um papel mais do que profundo na garantia dos valores humanistas.”


Sendo mais prático sobre a relação entre a corrida e os rituais nela envolvidos, fica então mais fácil perceber que corredores que têm a trilha, a montanha, a terra como seu “habitat mais natural” se diferem em seus rituais em relação aos que preferem o asfalto, a rua. Não há aqui nenhum grau de maior ou menor importância quanto ao tipo de ritual adquirido, mas de demarcar diferenças em alguns aspectos. Trazendo para o nosso cotidiano prático, pra mim, que corro no asfalto e que não nego um convite para subir uma montanha (e já faço há alguns bons anos), entendo que o contexto de uma corrida em trilha exige muito mais atenção. Há muito mais acessórios a serem revisados antes de uma prova ou treino, como mochila de hidratação, bastões, lanternas, etc. (são muitos os detalhes a serem cuidados antes de encarar uma trilha). Neste sentido, é a complexidade do ritual que revela algumas diferenças.


Cuide, portanto, de seus rituais e evite negligenciar um novo treino, uma nova prova. Por mais que você já conheça o percurso ou esteja habituado com a distância, tenha sempre a mesma atenção e, por vezes, cada vez maior. É preciso preparar a mente, o corpo e os acessórios… e assim fazer sentido tratar com cuidado os passos a serem dados antes da próxima saída. Cuide dos seus rituais!


Cláudio Arruda

(Mestre em Educação Física e professor da Move Brasília)

@move.brasilia



Imagem: Alécio Cezar

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