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Quedas, frio e superação: Como conquistei os 50k da Ultra Paine (por Bruno Szulczewski)

há 4 dias
4 min de leitura

A Ultra Paine apareceu para nós através de pesquisas enquanto procurávamos uma corrida na Argentina ou no Chile. Inicialmente, surgiu a ideia da maratona na Patagônia. Como já estávamos envolvidos em provas de trail desde o ano passado, nos interessamos muito em fazer a Ultra Paine justamente pelo percurso.


A princípio, eu não pretendia fazer os 50k, mas a minha esposa Carol já tinha o objetivo e a quilometragem mapeada, e acabamos nos inscrevendo no início de 2026 para a prova de 50 quilômetros.


Rotina de treinos e preparação


Meu preparo consistia em correr duas vezes por semana na esteira durante a semana em São Paulo, encaixar pelo menos uma sessão de musculação e realizar o treino longo nos finais de semana.


Não sigo planilhas de terceiros; sou formado em Educação Física (embora não trabalhe mais na área) e corro desde os 18 anos, então sempre organizei os meus próprios treinos. Eu adaptava os treinos conforme a semana, o trabalho e como estava me sentindo: se estivesse muito cansado, tirava o pé e rodava leve; se estivesse mais tranquilo, feliz e empolgado, fazia o treino planejado.



Alimentação e estratégia nutricional


Em termos de alimentação, somos veganos e nos alimentamos basicamente de grãos e vegetais. Não fiz nada diferente para a prova; no último mês, apenas procurei comer melhor e consumir mais grãos, já que os treinos eram muito longos. Consegui encaixar bem a alimentação nos treinos usando géis, carboidratos, reposição de sal e hidratação constante ao longo do percurso. Seguimos a mesma rotina alimentar de sempre e não tivemos nenhum problema.


Logística de viagem e hospedagem


Saímos de São Paulo, pegamos um avião de Guarulhos até Santiago, fizemos conexão e desembarcamos no aeroporto de Punta Arenas, optando por essa rota por ter um custo melhor. Chegar direto em Puerto Natales (mais próximo ao parque Torres del Paine) tem um custo mais elevado.


Em Punta Arenas, alugamos um carro e passeamos tranquilamente pela estrada, que é muito bonita, até chegar a Puerto Natales para retirar o kit. Na sexta-feira, fomos dormir no Hotel Del Paine, que recomendamos fortemente para quem vai fazer essa prova, pois é o local de chegada e facilita demais a logística.


Acordamos no hotel e pegamos um transfer (uma van) que levou os atletas até a largada em cerca de uma hora. O hotel tem uma vista esplêndida, atendimento excelente e ótimas opções veganas — não tivemos nenhum problema no café da manhã, almoço ou jantar. Se conseguir ficar no Hotel Del Paine, a indicação é fechar com eles.



Organização impecável e o frio da largada


A prova em si foi muito bem organizada. Retiramos o kit em Punta Arenas em um local muito bem estruturado e definido, com um ginásio de madeira lindo, maravilhoso e pequenininho. Tudo foi muito fácil e tranquilo.


A largada aconteceu com temperaturas beirando os 2 a 0 grau — um frio danado. Eu estava com uma segunda pele, a camiseta da prova, Anorak, pescoceira, bandana, luva e realmente sentia bastante frio no aquecimento. A largada ocorreu exatamente na hora planejada. 


Os primeiros quilômetros foram planos, com poucas variações, mas, mesmo sem chover, havia muita lama. Nos primeiros 10 km, acabei caindo três vezes. É até engraçado, porque isso nunca ocorreu comigo antes; nunca caí tanto em uma prova. Acredito que isso aconteceu devido à escolha do tênis. Escolhi o mais confortável e o que mais utilizava nos treinos e em outras corridas, mas a sola dele realmente não estava em condições excelentes, então escorreguei pulando poças e na lama. Houve apenas uma queda por falta de atenção: fui pegar um gel no bolso, olhei para o chão, não vi uma pedra, chutei e acabei caindo, mas foi divertido.


Desafios do percurso e os tombos pelo caminho


O percurso começou a ficar desafiador a partir do quilômetro 30, onde a inclinação aumentou consideravelmente. Nos quilômetros 35, 40 e 45, a subida não parava. Foi uma fase difícil, mas estávamos com uma vista incrível, então não tinha porque reclamar de nada. Por mais que as pernas não estivessem respondendo como eu gostaria, eu estava em um lugar maravilhoso, com uma temperatura ótima, sol e um cenário espetacular. Fiquei super feliz por estar vivenciando aquela prova.



Os últimos 5 quilômetros foram marcados por uma descida em declive bem acentuado. Meus joelhos, que há muito tempo não sentiam dor, começaram a gritar bastante. Tentei forçar um pouco, mas não deu; precisei diminuir o ritmo por conta da dor, que certamente veio devido à exposição de toda a prova. No entanto, esses desafios nos fortalecem.


O último quilômetro foi praticamente reto para chegar ao hotel, onde fomos recebidos por uma equipe enorme, muitos corredores presentes, um som maravilhoso e um visual espetacular para fechar com chave de ouro. Foi ótimo! A Carol já havia terminado bem antes de mim. Fiquei muito feliz por ela, pois desde a largada ela demonstrou muita garra, dedicação nos treinos e conquistou uma belíssima colocação: 5º lugar no geral e 3º na categoria. Fiquei extremamente feliz por ela e também pela minha prova e pelo lugar onde estava.


Foi uma experiência fantástica! Pretendo voltar um dia, quem sabe para encarar a prova novamente ou apenas para explorar com mais calma o parque, já que desta vez, rodando de carro, não consegui percorrer todas as trilhas na base das torres como gostaria. Com certeza, é um lugar magnífico e incrível que vale a pena conhecer."


Bruno Szulczewski

Gerente comercial e corredor de trilha e montanha



Imagens: Arquivo pessoal.

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