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Quadríceps castigados, o 'crew' dos sonhos e pódio na Bariloche by UTMB, por Manuel Lago

  • Foto do escritor: Eric Akita
    Eric Akita
  • 15 de dez. de 2025
  • 5 min de leitura

Com a evolução do trail run, especialmente as distâncias ultra, as quais eu sempre competi, atletas e atletas foram surgindo, cada vez mais novos, mais rápidos e mais resistentes. Sim, atualmente para se ganhar uma prova, precisa largar forte, apertar o ritmo no meio e sprintar no final. Somado a isso, eu fui envelhecendo, passando dos 45 anos e prestes a me tornar categoria 50-59 (2026 é logo ali). Há exemplos de atletas que mantêm competitividade nessa idade, até mesmo ganhando provas como Ludovic Pommeret e Miguel Heras, ambos inspiram-me a continuar cuidando do meu corpo, treinando e competindo até quando eu conseguir.


Mas houve uma virada de chave na minha carreira de atleta pós pandemia. Eu passei a não largar mais ‘no ritmo da prova’ e tentando ganhá-la. Passei a largar em busca de metas de performance e o que resultasse em posição na classificação seria lucro, bônus. E fui feliz e estou feliz assim. Tenho feito provas regularmente, de 2 a 4 grandes provas por ano, e tenho me redescoberto cada vez mais. A sensação de dever cumprido a cada chegada tem se tornado um êxtase. É muito especial cruzar uma linha de chegada sabendo que fez o melhor que podia naquele momento. Houve DNF? Sim, também. E isso não me machucava mais, servindo como base para entender o que faltava para que não acontecesse novamente.



2024 e 2025 foram anos perfeitos. Anos sem lesão relevante (não fiquei mais que 5 dias sem treinar) e ainda obtive as melhores performances que o meu corpo poderia me dar. Mas viemos aqui para falar da prova Bariloche by UTMB. Sem antes esquecer de quem me ajuda e ajudou na trajetória do ML atleta. Sem ser redundante, em agradecer família,

clientes e amigos, queria expressar meu profundo agradecimento a três marcas/pessoas:

- XP Investimentos: através do seu fundador Guilherme Benchimol, desde 2014 decidiu associar a sua marca à minha, e, desde então, constitui peça fundamental na minha trajetória profissional;


- Claudio Hermolin: desde 2009, nas diferentes empresas em que trabalha, sempre me dá um suporte financeiro para poder me manter competitivo;


- On Brasil: desde 2022 oferecendo uma linha de material de treino de alta qualidade, permitindo que eu desvie minha verba para outros setores da vida.


No mais, cito algumas marcas que já estiveram ou estão ainda comigo: Plant Power, Limppano, Agência Pipa, Strava, Faustino Vistos, Geonunes, Barthodomeu, entre outros.



Rumo a Bariloche com os alunos


Quando a prova foi anunciada, pela logística e pela data, logo me interessei e a dúvida era 130k ou 80k. Pela questão do horário de largada, optei pelos 80k pois respeitava mais meu biorritmo de um senhor de 49 anos. Esse era o meu alvo para o 2º semestre. Antes da prova, fui treinar na altitude 2x no ano, em julho e outubro, acumulando kms e metros positivo com qualidade (sempre com média de 3000 a 3500m altitude). Fiz 2 provas preparatórias (1 de 60k perto de Aspen em julho e a XC Run Búzios em outubro). Treinei muito! Queria muito! Para coroar a viagem, um grupo especial de alunos (Loana, PV, Pedro, Cição, Uriel, Rodrigo, DJ, Venâncio) e 2 amigos (Vinny e Mari) se juntou na mesma empreitada.


Chegamos na 2ª feira dia 17, treinamos 3ª (parte do percurso da prova), 4ª (turistando) e eu ainda treinei na 5ª (rodagem leve). Alguns correram na 5ª (33k e 55k de manhã e 130k à noite). Foi especial estar na chegada deles (exceto nos 130k).



Minha primeira prova com 'crew'


A largada dos 80k era às 5:00. Saí de casa às 4:40 trotando até o Centro Cívico e já percebendo o calor que estava por vir. Mantive a jaqueta impermeável para não destoar dos demais, mas de imediato guardei as luvas e o protetor de orelha. A estratégia era ir confortável por pelo menos 30 km. E assim foi. Minha suplementação funcionava super bem com 90 grs de CHO e 700 mg de Sódio por hora (diluídos em 500ml de água) e ainda complementava com um pouco de água pura (tentava chegar a 700ml de fluidos/hora).


A 1ª grande e enorme subida chegou. Duríssima, mas o ritmo estava encaixado. O problema estava por vir: a descida era íngreme demais e meus quadríceps deram sinal de vida. Achei que ia começar o sofrimento, mas meu corpo reagiu bem no trecho seguinte e a corrida fluía bem. Estava bem e preparado para chegar no PC do km 46 onde havia alunos esperando. Detalhe: 1ª vez em minha carreira inteira que eu tenho ‘crew’ (equipe de apoio). E que diferença! Tive certeza que se tivesse esse tipo de apoio nas provas que abandonei, teria completado ao menos metade delas. Um oásis ser recebido por amigos e ouvir aquela torcida verdadeira. Já estou mal acostumado rsrs.



Quadríceps castigados


Fui para a 2ª grande subida e com muito calor. Sofri, mas era um sofrimento esperado (nem tanto rsrs) mas sabia que seria um ataque ao cume muito duro. Haja braços e bastões! Os quadríceps (lembram dele?) foram castigados na descida. E que descida! Interminável e dolorosa. Mas adivinha? Repetiria a chegada no PC onde meus anjos da guarda estavam à minha espera, eufóricos com meu desempenho e jamais deixariam que eu esmorecesse.


Tomei um pouco mais de ar e fui para um trecho mais plano e que eu estava dominando. Dito e feito. Voei até o último PC, num calor tremendo e sonhando com um final sub 12h.

Abasteci, refleti e disse: “Já cheguei! É só uma questão de tempo.” E eu tinha 1h45 para fazer sub 12h.



Aceleração final


Larguei numa caminhada ritmada porque seriam 4 km de subida íngreme e quente. E desconfiava que não conseguiria descer forte pois meus quadríceps estavam à míngua. Subi, subi, subi... ultrapassei 2 atletas e ganhei confiança. No início da descida, me juntei a um uruguaio e perguntei se ele queria tentar o sub 12h comigo. Ele prontamente disse sim.

Que batalha contra o esforço. A dor existia mas fazia parte do jogo. Ultrapassamos mais um atleta e era cada vez mais real a meta do sonhado tempo.


Nos últimos 3km, o uruguaio Gonzalo não conseguia mais me acompanhar e eu bufava e olhava pro relógio. Cheguei no asfalto. E nada. Corria, e nada! Até que ouvi gritos, música e festa. Olhei pro relógio: “VAI DAR!” Acelerei muito e vi meus alunos gritando e incrédulos ao mesmo tempo com o ritmo que eu imprimia. Achava que fosse desmaiar e quando cruzei a linha de chegada, me joguei no chão. O VAR disse que não foi nada, que foi só drama. Talvez fosse, mas a exaustão existia. Meu aluno veio com as estatísticas: 14º geral, 12º masculino e 1º categoria. Tempo final de 11h59min58seg e 86.8k com 4750m+ superados. Bingo! Sub 12h! Êxtase puro! Agora era só comemorar! E esperar o DJ nos 130k além do Vinny e do Rodrigo nos 80k. Obrigado a todos os envolvidos!



Manuel Lago

Ultramaratonista de trilha, treinador e sócio-diretor da ML Mix Run



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