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Corrida na infância: Quando o excesso supera o benefício? (por Dra. Louise Lima)

  • 7 de abr.
  • 2 min de leitura

A atividade física deve ser estimulada desde os primeiros anos da infância, sendo um importante meio de prevenção para diversas doenças ao longo da vida. Porém, como tudo, o excesso deve ser visto com cautela.


Observam-se cada vez mais crianças se especializando precocemente nos esportes e, com o crescimento da corrida de rua, sendo expostas a provas como meias maratonas e maratonas. Apesar de ainda haver poucos estudos que definam uma distância ideal para essa faixa etária, alguns pontos já são bem estabelecidos: o aumento excessivo do volume semanal em treinamentos de longa distância eleva o risco de lesões por overuse, além de estar associado a alterações de humor, burnout e possível desengajamento esportivo na vida adulta. Estudos também apontam maior risco de lesões na placa de crescimento. Além disso, a forma como o volume de treino é progressivamente aumentado é um fator determinante, sendo progressões rápidas associadas a maior risco de lesões.


A especialização em um único esporte deve ser desencorajada até a puberdade, permitindo que a criança desenvolva um repertório amplo de habilidades motoras, coordenação e adaptação a diferentes estímulos. Outro ponto importante é que crianças da mesma idade podem apresentar diferentes níveis de maturação biológica, o que deve ser considerado na prescrição do treinamento.


Assim como no adulto há a preocupação com a adequação da demanda energética, do descanso, da intensidade e do volume de treino para prevenção de lesões, na infância esse cuidado deve ser ainda maior. Isso ocorre porque o organismo está em desenvolvimento, e desequilíbrios nessa fase podem impactar não apenas o desempenho, mas também o crescimento, a maturação e aspectos emocionais. Um parâmetro que usamos é que, idealmente, a criança não treine mais horas por semana do que tem de idade; por exemplo, uma criança de 9 anos não deveria ultrapassar 9h de treino semanal.


Em resumo, é fundamental respeitar o tempo e o processo. A progressão deve ser gradual, priorizando o prazer pela prática esportiva. Dessa forma, aumentam-se as chances de a criança manter-se ativa, saudável e com maior longevidade no esporte, podendo, futuramente, usufruir dos benefícios das distâncias mais longas.



Louise Lima

Pediatra da infância ao adulto, pós-graduada em Medicina Esportiva e atleta de corrida de trilha)




Imagem: @sebrunsfar

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