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Esqueça o pace: porque o controle por trecho é o segredo na trilha (por José Virginio de Morais)

  • 24 de mar.
  • 3 min de leitura

Meus primeiros contatos com as corridas foram ainda quando criança, correndo atrás de pipas, jogando bola nas ruas e fugindo da minha mãe. O tempo passou e, na escola, percebi que poderia usar aquela corrida para algo diferente, disputando quem seria o mais rápido — primeiro nas aulas de Educação Física, depois nas pistas de atletismo nos campeonatos escolares da época, em Osasco/SP.


O "Tiozinho" aqui foi crescendo e as corridas passaram a ter mais relevância em minha vida. Primeiro, no deslocamento diário indo para a casa da minha mãe (Osasco) pela manhã e retornando à noite para casa (Barueri - 15 km). Quando ia pela manhã, existia a atenção para não atrasar; quando voltava à noite, o foco era chegar rápido, pois a disputa com os ônibus em alguns trechos era bem legal. O único controle era um relógio de ponteiro e nada mais; não tinha referência de tempo, muito menos de distância...


Foi quando, em 2012, ganhei o meu primeiro relógio com GPS e passei a marcar até o tempo e a distância da padaria para casa.


Ufa! Mas o que isso tem a ver com o nosso tema? Quando corremos no asfalto, onde as variações de desnível e de terreno são raras, o tempo de esforço a cada quilômetro faz a diferença no produto final: o Tempo. Para os treinos ou corridas no asfalto, o tempo tem que ser calculado, o esforço deve ser mensurado e o gesto motor deve sofrer o menos possível para uma manutenção com o mínimo de interferência.


Nas corridas por trilhas que cortam montanhas, o leque é vasto para o que chamamos de "quebra de ritmo". Pode ser: o tipo de terreno, os desníveis, os obstáculos naturais, a aderência dos trechos, o clima, o tempo de esforço por quilômetro e a capacidade de lidar com a fadiga ou o estresse instantâneo a cada trecho.


Podemos observar que, na trilha, o ritmo de "Pace a Pace" não se aplica — ou melhor, sua aplicabilidade é de baixa eficácia quando nos deparamos com esse cenário citado. Mas não se descarta. O modo mais eficaz para o controle de uma corrida eficiente, seja mecanicamente ou em seu deslocamento para o produto final, eu acredito ser o controle por trecho.


Vamos à lição de forma eficiente e aplicável em qualquer trilha de montanha; vou criar um cenário para que vocês entendam melhor. Vá até um parque, montanha ou local de treino na terra para fazer isso. Eu tenho o Parque Anhanguera aqui em São Paulo, um local repleto de trilhas, estradas e trechos de asfalto.


Eu fiz um percurso de 10,5 km com desnível positivo de 450m no meu GARMIN 970 e cumpri em 1h01m45s. Pronto: já tenho o percurso, o tempo, o desnível e muita vontade de ser mais rápido nos próximos treinos. É neste momento que o meu STRAVA entra em ação. Olhando para a tela, busco ser mais rápido em um trecho onde acho que já fiz força total, passando por quilômetros de 3'45" até paces de 8'00"/km.


No app Strava, criei três (3) subtrechos, levando em conta o grau de dificuldade e os terrenos. Analisei o tempo de cada um e o pace interno para ser mais eficiente, sem precisar "sofrer" os 61 minutos, mas sim viver e buscar ser rápido a cada 17' ou 22' de cada subtrecho. Quando dei por mim, ao chegar no último trecho, eu estava com uma "folga" de 2 minutos. Sem estressar a mente e os músculos, completei o trecho 3 com uma corrida mais solta e sem pressão.


Melhorei a marca em 5'20", sem o "Pace a Pace" e sem precisar sofrer por uma hora direto. Acreditem: as descidas podem ser mais difíceis do que as subidas. Entenda cada trecho, dentro ou fora do asfalto.



José Virginio de Morais

(atleta, treinador e diretor técnico da JVM Trail Run)



Imagem: Alécio Cezar

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