Do diagnóstico ao pódio: como o esporte salvou a minha vida (por Andressa Furukawa)
Meu nome é Andressa e tenho 40 anos. Comecei no esporte oficialmente em 2019. Eu sempre praticava alguma coisinha normal, nada fora do controle — gostava de participar das coisas na escola —, mas foi em 2019 que realmente me encontrei.
Em 2010, eu me casei. Passamos por algumas crises — meu marido e eu não temos filhos — e, logo depois de casar, enfrentamos alguns problemas financeiros. Eu sempre fui magra, não tenho histórico de obesidade na família, graças a Deus. Mas, sem dinheiro e em meio às dificuldades, eu me vi no espelho e estava me sentindo feia, com gordurinhas.
Como não tínhamos dinheiro para entrar em uma academia nem para fazer o que eu realmente queria, falei para o meu marido que iria comprar um tênis e começar a correr. Ele já corria, mas na época estava parado. Em 2019, ainda dava para pensar em comprar um tênis legal e simplesmente começar a correr.
Primeiros passos na corrida
Quando voltei de viagem de Santos para São Paulo, decidi: "Vou começar a correr". Já me inscrevi na minha primeira provinha de 6 km, o Troféu São Paulo, no aniversário da cidade, em 25 de janeiro. Comecei a correr sozinha na rua, pegando uma planilha de 10 km da O2 para treinar. Fiz essa prova saindo do Ibirapuera e adorei! Foi o "mosquitinho" que me picou e nunca mais larguei.
Fui melhorando e me sentindo feliz em todos os treinos. Sempre fui corajosa, audaciosa e motivada por desafios; não gosto de mesmice nem de correr apenas por correr — corro porque quero melhorar meu tempo, me desafiar e ser forte!
Peguei uma nova planilha da O2 para 21 km e fui para a Meia Maratona do Rio de Janeiro. Amei a experiência e não parei mais.

Paixão pelas montanhas
Desde os 16 anos trabalho na área da beleza, acompanhando minha mãe. Formei-me em Visagismo e Terapia Capilar. Foi o caminho mais acessível no momento, pois nunca tive a oportunidade de olhar para outro lado. Já são 20 anos como cabeleireira; já tive e desmontei salão, e hoje atendo minhas clientes.
Com o tempo, as coisas na vida foram melhorando, graças a Deus. Pude pagar uma assessoria de corrida e passei por duas até chegar à equipe da Rosana Merino. Hoje faço parte do time dela como convidada, o que foi uma grande conquista para mim!
Quanto mais eu corria, mais me apaixonava. Decidi então cursar a faculdade de Educação Física e hoje estou no sexto semestre, completamente apaixonada pelo esporte.
Sempre fiz provas no asfalto e procurava o percurso mais plano possível. Há cerca de três anos, entrei na assessoria Azo e comecei a evoluir muito. Meus amigos diziam que eu tinha talento, determinação, foco e uma cabeça muito forte. Sou assim: não deixo nada me abalar por muito tempo; caio em si rapidamente e foco na solução, não no problema.
No ano passado, decidi fazer a prova Muralha (42 km de subidas e descidas). Para me preparar, fui treinar no Pico do Jaraguá e me apaixonei pela natureza e pela paisagem. Senti muito a presença de Deus ali. Treinei também na Estrada Velha, onde fiz prova de teste e peguei pódio. Na Muralha, consegui um ótimo resultado e, em seguida, fiz a prova de 38.8 km entre Bertioga e Maresias (Bora Bora), onde conquistei o 3º lugar na classificação geral.

O diagnóstico
Deus já estava me preparando para o que viria a seguir. No início deste ano, corri a prova Roots, em Joanópolis (19 km), e também subi ao pódio na geral.
Em fevereiro, durante o banho, senti um nódulo no seio esquerdo. Fui rapidamente ao médico e, após exames, recebi o diagnóstico de câncer de mama triplo negativo. Passei uns 10 dias muito pensativa, chorando e me questionando por que aquilo estava acontecendo, até entender que era hora de enxugar as lágrimas, aceitar a situação e focar no tratamento.
Escolhi passar por todo esse processo de forma leve. Acolhi a mim mesma com amor para que meu marido e minha família também pudessem passar por isso de forma leve.

O esporte como cura e inspiração
O esporte salva vidas! Nunca tomei remédios para ansiedade ou depressão. A corrida é a minha dose diária de remédio, algo de que não abro mão. Vivo pelo esporte.
Quando comecei as quimioterapias, meus médicos me orientaram a escutar o meu corpo para saber até onde eu poderia ir. Mantive minha rotina de treinos e idas às trilhas. Hoje, finalizei a 12ª sessão de quimioterapia branca e passarei para as quatro sessões da vermelha, seguidas de cirurgia e radioterapia.
Durante as 12 semanas de quimio branca, tive pouquíssimos efeitos colaterais e não precisei tomar remédios para sintomas. Meu oncologista e meu mastologista dizem que nunca tiveram uma paciente como eu — que correu uma maratona de trail durante o tratamento e venceu em 1º lugar na categoria geral de 42 km! Eles afirmam que meu caso precisa ser estudado pela minha força física e mental.

Acolhimento, aceitação e futuro
Não me entrego, não aceito olhares de pena e não me faço de coitada. Hoje, recebo mensagens de muitas mulheres no Instagram enfrentando a mesma doença e buscando conselhos. Minha resposta é sempre a mesma: "Pratiquem esporte! O esporte cura, é um remédio gratuito."
Se não fosse a corrida e a preparação que Deus me deu na natureza, não sei como estaria encarando este momento. Hoje, não me imagino mais apenas no asfalto; quero desafios longos nas montanhas, em sintonia com a terra e com as árvores.
Em relação ao cabelo, foi super tranquilo ficar careca. Quando a gente se aceita e se acolhe, passa a encarar os problemas com outros olhos. Pretendo criar projetos para ajudar outras mulheres a encontrarem no esporte a força para fortalecer a mente e superar momentos difíceis.
O esporte veio na hora certa na minha vida.
Andressa Furukawa
@andressa_furukawa
Fotos: Arquivo pessoal.



