top of page

Biomecânica da corrida: correr mais bonito faz correr mais rápido? (por Alessandra Toscano)

8 de set.
3 min de leitura

“Queria correr mais bonito. Será que ficaria mais rápido também?”


A pergunta parece simples, mas parte de uma ideia bastante comum entre corredores: a

de que existe uma forma certa de correr e que, quanto mais bonita for a passada, melhor

será o desempenho.


A verdade é que não existe um jeito “certo” de correr. Basta observar um grupo de

corredores para perceber: alguns dão passos mais curtos e rápidos, outros têm uma

passada mais longa. Alguns passam mais tempo no ar, enquanto há quem pareça correr

mais perto do chão.


Essas diferenças têm relação direta com a estatura, o comprimento das pernas, a força, a

mobilidade, a velocidade e a própria experiência de cada um. Aos poucos, o corpo

encontra uma forma de organizar os movimentos que funcionam para ele. Por isso, duas

pessoas podem correr no mesmo ritmo de jeitos bem diferentes.



Mas o que é biomecânica e o que ela tem a ver com velocidade?


De forma simples, a biomecânica estuda os movimentos e as forças envolvidas na

corrida. Ela ajuda a entender como cada corredor responde às demandas do esporte.

É essa análise que ajuda a separar o que é apenas uma característica individual daquilo

que realmente merece atenção. Aterrissar com o calcanhar, com o meio ou com a ponta

do pé, movimentar os braços cruzando um pouco à frente do corpo ou correr com o

joelho mais voltado para dentro não são, por si só, problemas. Tentar "corrigir" essas

características apenas para deixar a corrida mais bonita pode mudar a forma como a

carga é distribuída pelo corpo e criar uma sobrecarga que antes não existia.


E, quando o assunto é desempenho, não existe uma variável isolada que determine se

alguém corre de forma eficiente.


Uma revisão recente reuniu os estudos sobre biomecânica e economia de corrida — o

gasto de energia para manter determinado ritmo — e mostrou que muitas características

que costumamos observar ou tentar corrigir não têm uma relação clara com a eficiência

do movimento. O tipo de aterrissagem do pé no solo, o tempo de contato com o chão e

vários ângulos do quadril, do joelho e do tornozelo, por exemplo, não foram capazes de

separar os corredores mais econômicos dos menos econômicos.


Por outro lado, uma menor oscilação vertical (menos movimento para cima e para

baixo) e uma maior rigidez da perna durante o apoio apareceram associadas a um

menor gasto energético. Rigidez, aqui, não significa correr engessado, mas sim a

capacidade da perna de funcionar como uma mola: desacelerar o impacto no chão e

devolver essa energia rapidamente para empurrar o corpo para a frente.


Como ler os dados na prática


Nenhum desses dados funciona isoladamente. Parâmetros como oscilação ou rigidez só

fazem sentido quando analisados junto com a velocidade, a força, a mobilidade e a

rotina de treinos de quem corre.


Na prática, a análise de movimento serve para sair do "achismo" e entender como o

corpo realmente se comporta durante a corrida. Com informações claras em mãos, fica

muito mais fácil decidir o caminho: entender se vale a pena fazer algum ajuste

específico ou se a sua passada natural já é a escolha mais eficiente e segura para você.


Alessandra Sartori Godoy Toscano

Corredora e fisioterapeuta esportiva

Embaixadora da Running Lab São José dos Campos, laboratório especializado em

avaliação biomecânica da corrida

@alegodoytoscano.fisio


VAN HOOREN, B.; JUKIC, I.; COX, M.; FRENKEN, K. G.; BAUTISTA, I.;

MOORE, I. S. The relationship between running biomechanics and running economy:

a systematic review and meta-analysis of observational studies. Sports Medicine, v. 54,

n. 5, p. 1269–1316, 2024. DOI: 10.1007/s40279-024-01997-3.

android-chrome-512x512_edited.png

©2023 CORRE JUNTO

  • Instagram
bottom of page