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Lesão no esporte : como lidar com a frustração e o desânimo? (por Silvia Schreer)

  • 28 de jul.
  • 3 min de leitura

Para muitos esportistas profissionais e amadores, a jornada de treinamento é repleta de desafios, metas pessoais e momentos de superação. No entanto, um dos maiores desafios que podem surgir ao longo desse caminho é a lesão. Seja no início de um ciclo de treinamento ou no auge da preparação para uma prova, uma lesão pode ser um golpe duro, trazendo frustração, desânimo e, em alguns casos, até sintomas depressivos.


Quando um atleta se machuca, é comum sentir uma mistura de emoções negativas, como a vontade de abandonar o esporte, a sensação de impotência, o foco excessivo na perda do desempenho, o medo de retroceder nos ganhos conquistados e a ansiedade de ver outros continuando a evoluir enquanto ele se sente estagnado.


É completamente normal sentir-se chateado, frustrado ou até mesmo irritado com a lesão e com o impacto que ela tem na sua vida e nos seus objetivos. Esses sentimentos fazem parte do processo e são válidos. Mas é importante lembrar que ficar preso a eles não vai curar a lesão nem acelerar a recuperação. Curta esse momento de luto, reconheça suas emoções, mas não se deixe paralisar por elas. Após esse período, é hora de reagir, focar no que pode ser feito a partir do momento e dar o primeiro passo para seguir em frente.



No livro ‘The Psychology of Sport Injury and Rehabilitation’, Andrew S. L. G. Leach explora como a recuperação envolve não só o tratamento físico, mas também desafios psicológicos importantes que impactam o bem-estar do atleta. Abaixo, cito alguns dos aspectos mais comuns:


1) Luto pela perda da performance: A lesão pode fazer com que o atleta passe por um processo de luto, não só pela limitação física, mas pela perda temporária da identidade de esportista. Isso é especialmente marcante em situações como um corredor que se lesiona antes de uma maratona importante, sentindo que perdeu sua motivação e objetivo.


2) Impacto emocional da dor e da inatividade: A dor física constante pode afetar diretamente o emocional, criando sentimentos de desesperança, principalmente quando a recuperação demora mais do que o esperado.


3) Ansiedade e medo de novo machucado: Muitos atletas ficam ansiosos ao retomar a atividade, com medo de se machucar novamente. Isso pode levar a um bloqueio emocional, prejudicando o processo de recuperação e retardando o retorno à performance ideal.


4) Reconstrução da identidade do atleta: Ficar afastado do esporte por um longo tempo pode abalar a identidade de quem sempre se definiu como esportista, gerando dúvidas e sentimentos de perda de autoestima.


Então como lidar com isto de uma forma menos "dolorida" tanto fisicamente quanto emocionalmente?


- Aceitar que a fase de recuperação é necessária, é fundamental. A lesão faz parte da vida de qualquer atleta, e entender que o corpo precisa de tempo para se regenerar ajuda a evitar complicações futuras.


- Valorizar o tempo livre é uma forma de manter o equilíbrio mental, aproveitando para investir em outras áreas da vida, como ler, estudar, socializar e cuidar da saúde emocional.


- Diversificar atividades também é importante. Esportistas amadores que colocam toda sua identidade apenas no esporte podem sofrer mais com a lesão. Ter outros hobbies e aproveitar para introduzir novas práticas e interesses ajuda a manter a mente ativa e afastar a frustração.


- Trabalhar o aspecto mental com técnicas de mindfulness, meditação e visualização pode ajudar a manter o foco e a calma durante o processo de recuperação.


- Estabeleça novos objetivos! Em vez de focar no que foi perdido, é importante criar pequenas metas durante o processo de recuperação para manter a motivação.


- Buscar apoio, conversar com outros atletas que passaram por situações semelhantes ou procurar ajuda profissional, como fisioterapeutas e psicólogos esportivos, pode ser fundamental para a recuperação equilibrada.


- A chave está em mudar a perspectiva: em vez de ver a lesão como um fim, encarar como um desafio que trará novos aprendizados e fortalecimento físico e mental.


Eu gosto muito desta frase de Brad Gilbert, (ex-tenista profissional): "A verdadeira força de um atleta não está na resistência física, mas na capacidade de se recuperar das quedas."

Lembrem-se sempre: a verdadeira superação não está apenas na linha de chegada de uma prova, mas também na capacidade de se reerguer e continuar a evoluir, independentemente dos obstáculos.


Silvia Schreer

Psicoterapeuta esportiva e triatleta e corredora de rua e de trilha amadora

@silschreer


Imagem: @nyboneandjoint

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